A usina de álcool Sabarálcool, de Engenheiro Beltrão (32 km ao norte de Campo Mourão) vai investir pelo menos R$ 1,5 milhão para dobrar sua capacidade de geração de energia a partir de bagaço de cana-de-açúcar e, com isso, poder comercializar o excedente da produção. Hoje, a empresa produz 3,5 megawatts, suficiente para atender todo o seu parque industrial.
‘‘A idéia vem ao encontro danecessidade de se criar novas alternativas de energia elétrica no País’’, explica o assessor de qualidade e relações com o mercado da Sabarálcool, Giovani Crispim. Segundo ele, os investimentos que hoje estão em fase de estudos tornam mais eficientes os equipamentos de acionamento e, assim, aumentam o vapor e a energia gerada.
O projeto da usina de álcool é passar a produzir 7 megawatts de energia já a partir do ano que vem, o que deixará 3,5 megawatts disponíveis para a comercialização. ‘‘No nosso caso, só precisamos de algumas adaptações nos equipamentos’’, explica Crispim. A alteração nos equipamentos deverá ocorrer durante o período de entresafra.
De acordo com Crispim, a empresa deverá ter um retorno do investimento num prazo máximo de três anos. A energia extra gerada pela Sabarálcool poderá ser vendida para a Copel ou para qualquer outra empresa de energia elétrica. Hoje as usinas que têm contratos com distribuidoras recebem entre R$ 30 e R$ 50 por MWh.
Segundo a Sabarálcool, pelo menos oito usinas do Estado têm condições de investir no processo e gerar energia já no próximo ano. Cada usina geraria aproximadamente 4 megawatts/hora (MW), o que pode sustentar uma comunidade de duas mil pessoas.
Participantes do Seminário sobre Matriz Energética, no início desta semana em Curitiba defendem o uso do produto na geração de energia, mas observaram que falta estímulo para investir.
‘‘A utilização do bagaço da cana só tem pontos positivos. Hoje usamos 40% da cana que é a sacarose e jogamos fora 60% que é a celulose’’, relatou o físico José Valter Bautista Vidal. O presidente da Comissão de Pós-graduação em Energia da USP, Ildo Sauer, afirmou que o governo deveria liberar financiamento e dotar as empresas para que se envolvessem no processo de estímulo à cogeração.

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