Usina elimina poluição do setor moveleiro
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domingo, 23 de setembro de 2001
Maurício Borges<br> De Arapongas 
Organizados através de um consórcio, empresários do segmento moveleiro de Arapongas iniciaram na sexta-feira a operacionalização de uma usina de recliclagem de resíduos industriais. Na primeira etapa de funcionamento, a usina irá processar as 170 toneladas de resíduos de madeira (cavacos, compensados, glomerados e MDF) que as indústrias locais geram diariamente.
O material de descarte que, até há pouco tempo, representava um sério problema de poluição na cidade, passa agora a ter uma destinação adequada, gerando ainda lucro para os empresários do setor. ''Os resíduos recolhidos nas indústrias serão transformados num material homogeneizado, que passa a ser comercializado como uma alternativa barata e eficiente para alimentar caldeiras'', informou o presidente do Sindicato da Indústria Moveleira de Arapongas, Sebastião Antônio Batista.
Ele revelou que, das 170 toneladas diárias, 60 já estão compradas pela Cooperativa Agropecuária de Rolândia Ltda (Corol), que irá utilizar este energético para alimentar as caldeiras de sua nova indústria de suco de laranja.
Um total de quinhentas caçambas, especialmente adaptadas para a coleta dos resíduos estão sendo distribuídas entre as indústrias. Dois caminhões irão recolher o material diariamente, abastecendo a usina e eliminando o problema da destinação dos resíduos, que ocupavam muito espaço nas empresas ou geravam poluição em lixões clandestinos.
Por enquanto a usina, implantada num terreno de 5 alqueires, tem concluída apenas sua primeira etapa, destinada à fragmentação de sobras de madeira. Já foram investidos R$ 500 mil na obra, que está orçada em R$ 1,4 milhão. Até março, para quando está prevista a conclusão do projeto, serão instalados ainda silos com capacidade para armazenagem de 150 toneladas, uma central de triagem de resíduos e um aterro industrial. Com estes novos setores também será possível dar uma destinação correta e até obter lucros, com um descarte diário de 40 toneladas de espuma, borracha, plástico, papel e outros materiais.
''Com a usina instalada, com sua capacidade total, poderemos atender não apenas as 150 indústrias de Arapongas, mas todas as outras empresas moveleiras de todo o norte do Paraná'', assegurou o presidente do Sima. Numa etapa seguinte, conforme anunciou o dirigente do pólo moveleiro araponguense, a meta é implantar na mesma área, uma termoelétrica. ''O combustível para alimentar a termoelétrica será o resíduo das indústrias'', explicou ele, acrescentando que a energia gerada será aproveitada pelos próprios moveleiros, reduzindo seu custo operacional.
Ao acompanhar o início do funcionamento da usina, o prefeito José Bisca (PFL) admitiu que a cidade tinha uma gravíssima situação de poluição ambiental para solucionar. Ele lembrou que algumas famílias chegavam a ganhar algum dinheiro, encarregando-se de queimar os resíduos das indústrias moveleiras. ''Essa situação causou muitos inconvenientes com poluição ambiental e seguidas autuações ao Sima'', comentou Bisca.
O prefeito manifestou-se satisfeito com a parceria viabilizada pelos moveleiros que, a partir de agora, estão definitivamente adaptados à gestão ambiental. ''É preciso reconhecer que a contribuição social e econômica deste segmento industrial ao município é inestimável, impusionando seu desenvolvimento e, agora, nossa satisfação é ainda maior com o fim da poluição'', afirmou.


