O Ministério Público Federal (MPF) quer que todas as pendências ambientais causadas pela construção da Hidrelétrica Mauá, no Rio Tibagi, sejam resolvidas antes da entrada em operação da usina, o que deve acontecer em outubro deste ano. A informação foi dada pelo procurador da República em Londrina, João Akira Omoto, após a reportagem publicada ontem na FOLHA Sobre o atraso nas obras. ''Havia tempo hábil e ainda há tempo hábil para que tudo seja resolvido antes que se fechem as comportas. O Ministério Público não aceitará uma licença de operação sem que tudo esteja resolvido'', afirma.
O procurador diz que as principais questões se relacionam ao corte da vegetação, ao resgate da fauna, à qualidade da água e à indenização dos grupos atingidos pela futura represa. Segundo ele, o Ministério Público está acompanhando de perto todas as questões.
Na área a ser alagada, serão cortados 4.200 hectares de Mata Atlântica primitiva e uma área de ''compensação'' deve ser definida um pouco abaixo da barragem para que o novo ambiente fique o mais próximo possível do espaço atingido. O procurador lembra que a área é rica em sítios arqueológicos e que, caso seja encontrado algum objeto, todo trabalho será paralisado para recuperar o material.
Outra consequência do corte na vegetação é a saída de várias espécies de animais de seu habitat natural. A previsão dos ambientalistas é que uma parte dos animais será ''afugentada'' pelo desmatamento e outra parte deve ser resgatada e levada para outros locais.
Mas o que está dando mais trabalho até agora é o reassentamento das famílias que moravam - alguns ainda vivem - na área a ser alagada e que dependiam - ou ainda dependem - dela para sobreviver. O procurador admite que o consórcio reconhece facilmente os grupos que define como ''tradicionais'' nestas circunstância, que são os proprietários rurais, posseiros e arrendatários. Mas há também o caso de famílias que trabalhavam nas propriedades como funcionários e que devem receber um tratamento especial, além de pescadores e cerca de 200 garimpeiros que reivindicam uma indenização.
Omoto afirma que, no total, são cerca de 200 reclamações, ''das mais variadas possíveis'', desde a área que foi escolhida para reassentamento até a nova casa que apresenta algum tipo de problema.

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