Os Estados Unidos deram um banho de água fria nos produtores de soja brasileiros nesta semana. Ao contrário de todas as projeções de mercado, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou seu último relatório acerca da safra 2014/15 do País, que começa a ser colhida em agosto, com números bem mais promissores em relação à área e à produção da commodity.
De acordo com a entidade americana, a estimativa da área de plantio é de 34,2 milhões de hectares (ha), alta de 2% em relação aos números dos especialistas do agronegócio. No caso dos volumes em estoque, o mercado aguardava algo em torno de 10,6 milhões de toneladas, mas o USDA divulgou que os estoques estão na casa dos 11 milhões de toneladas, um incremento de 3,7% no comparativo. A expectativa de produção norte-americana é grandiosa: 103 milhões de toneladas.
O cenário acaba sendo prejudicial aos sojicultores nacionais e do Estado. Com essa possibilidade de grande volume de produção da commodity no mercado internacional, a pressão é de baixa sobre os preços, com uma queda imediata entre 4% e 5%. Até agora, segundo números do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Seab), foram comercializadas 67% de toda a safra 2013/14 do Estado, que fechou em 14,6 milhões de toneladas e rentabilidade de 2.975 kg por ha.
O técnico do Deral, Marcelo Garrido, relata que os preços realmente se modificaram, mas influenciados principalmente pelas cotações da Bolsa de Chicago, que sentiu maior impacto do anúncio do USDA. "Ainda é cedo para dizer o que irá acontecer. Podemos sentir uma pressão maior em 30 ou 40 dias, dependendo do que acontecer com o clima norte-americano neste período. Vale ressaltar que os preços ainda estão muito bons para o produtor", relata ele.
Nas médias dos seis primeiros meses de 2014, em nenhum momento a saca de 60 kg ficou abaixo da casa dos R$ 60. Em contrapartida, neste início de julho, isso aconteceu. "Com a divulgação da safra brasileira em setembro e a expectativa do plantio na América do Sul e os números definidos nos EUA, aí sim poderemos ter melhor panorama de como o mercado vai se comportar", complementa Garrido.
O zootecnista e consultor da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro de Lima Filho, explica porém, que mesmo neste clima baixista de preços, a rentabilidade continua alta para o produtor brasileiro, algo em torno R$ 700 por hectare. "Acredito que essa divulgação dos EUA deve impactar a médio prazo e esse valor por hectare diminuir. De qualquer forma, não acredito que esse resultado irá fazer os sojicultores brasileiros apostarem menos na cultura na próxima safra. A área de plantio no País não deve a diminuir devido a esse anúncio do USDA", finaliza.

Imagem ilustrativa da imagem USDA projeta grande safra de soja e preços recuam no Brasil