USDA prevê redução da safra brasileira
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segunda-feira, 12 de outubro de 1998
Renato Stancato Agência Estado 
Com a queda vertiginosa dos preços no mercado internacional em relação aos praticados em 1997, a soja não deve repetir no Brasil a produção da última safra, quando colheu o recorde de 31 milhões de toneladas.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não foi a campo realizar seu primeiro levantamento de safra, mas o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) antecipou-se e está estimando uma queda de 6,5% na produção brasileira. A Conab, porém, acha que a redução será menor. O governo norte-americano está projetando uma safra de apenas 29 milhões de toneladas.
Bolsa Os preços na Chicago Board of Trade, bolsa de futuros que atua como uma verdadeira âncora para o mercado mundial, são desencorajadores em relação aos vistos no ano passado.
Os contratos com vencimento em maio de 99 giravam em torno de US$ 5,60 por bushel esta semana, o equivalente a US$ 12,35 por saca de 60 kg. Só para se tomar como base, a soja chegou a quase US$ 9,00 por bushel no ano passado (US$ 19,80/saca).
O reflexo dos baixos preços da safra está na comercialização antecipada da produção brasileira. Em anos normais, cerca de 40% da produção é vendida antes mesmo de ser colhida para financiar o custeio.
Com os baixos preços de Chicago, as vendas antecipadas estão praticamente paralisadas.
No Mato Grosso, a indústria oferece a título de adiantamento US$ 6,00/saca depositada em seus armazéns, com juros de 1,5% ao mês mais variação cambial, o que é considerado escorchante pelo produtor.
A relação de troca entre a soja e os fertilizantes também é amplamente desfavorável. Também no Mato Grosso, as lojas de insumos utilizavam o patamar de 30 sacas de soja por tonelada de fertilizante, quando produtores consideram satisfatório uma relação de 23 sacas por tonelada.
Do jeito que a coisa vai indo, estou pensando em deixar para comercializar depois da colheita, comentou o produtor Sérgio Nogueira, de Nova Mutum (MT). A atitude arrojada de Nogueira é, contudo, uma exceção entre os produtores, que sabendo da volatilidade dos preços da soja, avaliam as condições de venda antecipada na decisão de seu plantio. Por isso, a projeção de redução de área na próxima safra.
O Mato Grosso ilustra bem essa alteração. As projeções preliminares da Fundação Mato Grosso, organização de pesquisa mantida com os fundos de produtores e indústria de insumos, apontam que 400 mil hectares da soja devem migrar para outras culturas, seja por mera rotação de solo ou por decisão mercadológica.
No Estado foram plantados 2,65 milhões de hectares na última safra. Para Dario Hiromoto, diretor técnico da Fundação MT, em torno de 100 mil hectares de áreas novas devem ser utilizadas para a soja, o que limita a perda da área.
Queda no Paraná No Paraná, a expectativa é de que a área de soja também sofra uma redução, cedendo espaço para o milho e para o feijão. A primeira projeção da Secretaria de Agricultura aponta uma área de 2,750 milhões de hectares para a cultura, 2% abaixo do plantado na última safra.
Pelos mesmos dados, a produção até subiria em relação a 97/98, saltando de 7,25 milhões de toneladas para 7,30 milhões de toneladas. Isso porque problemas climáticos prejudicaram o Paraná este ano.
Para o analista agrícola da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, contudo, a queda de área deverá ser maior do que isso. Turra acredita em uma redução em torno de 5% na próxima safra.
O que está se vendo é que muitos produtores ainda não tomaram as decisões de plantio ou não, contrariamente a outros anos, afirma Turra. Está em cima da hora para o plantio no Estado, que começa em outubro.


