O consumo mundial de soja será menor este ano e se a previsão se concretizar, o reflexo nos preços do grão será negativo. A avaliação é do economista Fernando Muraro, técnico da Cotriguaçú, ao receber ontem o novo relatório sobre oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). O relatório revela uma redução de 800 mil toneladas de soja na previsão de exportação dos Estados Unidos. O país, que esperava exportar 26,7 milhões de toneladas em dezembro, agora estima exportar 25,9 milhões t.
‘‘Daqui para frente o mercado é uma incógnita’’, disse. O comportamento vai depender da demanda nos países asiáticos. A redução do consumo mundial de soja é alavancada pela revisão das importações do Japão. Conforme o USDA, o país previa importar 5,2 milhões de t e agora estima uma importação de 4,9 milhões de t, uma redução de 300 mil t. Junto com o Japão, os demais países asiáticos, exceto a China, também vão reduzir as importações.
Segundo Muraro, a desvalorização das moedas asiáticas tornou o produto muito caro, e com recessão à vista, o consumo tende a cair. A China, ao contrário, vai aumentar as importações de soja. No ano passado, o país importou 2,3 milhões de t e esse ano deverá importar três milhões de toneladas.
Esse relatório pessimista chega num momento crítico, quando a produção mundial cresce com a oferta de uma supersafra de 50,2 milhões de toneladas da América Latina. O crescimento nos estoques mundiais é de 7,4 milhões de toneladas. Quadro diferente do ano passado, quando o mercado mundial teve que recorrer aos estoques de passagem para atender o consumo. A produção mundial foi de 131,5 milhões de t na safra 96/97 e o consumo atingiu 136,4 milhões de t. O resultado desse quadro de oferta e demanda foram os preços compensadores que prevaleceram durante todo o ano de 1997.

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