Uruguai já adotou medidas contra perdas
Enquanto espera soluções para a crise depois da reunião entre Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, hoje, em Campos do Jordão (SP), o Uruguai já tomou algumas medidas para compensar a perda de competitividade. A dependência do mercado brasileiro é grande no mercado industrial uruguaio: 38% do total de suas exportações se destinam ao Brasil.
Desde a formalização do Mercosul, em 95, vários especialistas uruguaios têm alertado para a excessiva dependência do país junto aos gigantes do bloco: Brasil e Argentina. Desde que estalou a crise brasileira, o BC uruguaio decidiu compensar as perdas de competitividade melhorando algumas condições do regime de pré-financiamento de exportações. O mecanismo consiste em um crédito outorgado por um banco a um exportador para que este pague seus insumos antes da venda ao exterior.
O governo do presidente Julio María Sanguinetti estendeu o prazo de financiamento para exportação por 360 dias. Esta é uma das medidas visando ajudar os exportadores. O ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca, Sergio Chiesa, disse que os setores que enfrentam maiores problemas são os lácteos e arroz. A crise brasileira só ajudou esses produtos a irem mais rápido para oabismo já que desde o ano passado experimentavam uma queda nos preços de sua produção colocada no Brasil. O setor lácteo, em especial a Cooperativa Nacional de Produtores de Leite, reduziu temporariamente o seu pessoal.
O governo uruguaio espera que, no final da reunião entre FHC e Menem, o Brasil anuncie a flexibilização do regime de financiamento às importações ou o fim dos subsídios às exportações brasileiras.
A presidência cortará o uso de telefones celulares, compra de jornais e revistas, controle no uso de combustível e luz, como forma de contribuir para a redução do gasto público. Vamos diminuir os gastos em 8% e também dar o exemplo, explicou Elías Bluth, secretário da presidência. O governo iniciou esta semana um plano de contenção de gastos aprovado em 26 de janeiro, mediante o qual pretende economizar US$ 100 milhões no ano através da decisão de que cada órgão da administração gaste 8% menos que no ano passado.
O plano do governo contempla ainda diminuição nos investimentos previstos pelas empresas públicas, como a de distribuição de água potável, telecomunicações e energia elétrica. Segundo economistas, o impacto da crise brasileira no Uruguai provocará uma queda do PIB, aumento no desemprego - atualmente em 10,5% - e redução nas exportacões.





