Uruguai amplia feriado e passa a limitar saques
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quarta-feira, 31 de julho de 2002
Agência Estado 
Montevidéu - O governo uruguaio decidiu estender até o fim desta semana o feriado bancário decretado na terça-feira e, embora negue, instituiu uma espécie de corralito financeiro, mais light que o argentino.
A crise uruguaia, aliás, começa a ficar cada vez mais parecida com a do país vizinho. Ontem, cerca de 20 pessoas saquearam um supermercado de Montevidéu, nas proximidades do Congresso Nacional. Segundo fontes oficiais, três pessoas foram detidas pela polícia e não houve feridos.
A situação também produz efeitos fora do país. Ontem, a agência de classificação de risco Moody's Investor Service rebaixou o rating dos bônus em moeda estrangeira do Uruguai, de B1 para B3.
Como consequência, os bônus em moeda estrangeira do Uruguai foram rebaixados para B3. A agência também rebaixou de B3 para Caa1 o rating para os depósitos bancários em moeda estrangeira.
O rating para emissão em moeda local do governo do Uruguai também foi rebaixado de B1 para B3. A perspectiva para os ratings permanece ''negativa''.
O ministro de Economia, Alejandro Atchugarry, informou que o Banco Central foi instruído a autorizar os bancos a pagar apenas salários e aposentadorias. Também voltaram a funcionar os caixas eletrônicos.
A exemplo dos argentinos, que podiam sacar limites preestabelecidos dos caixas logo depois de criado o corralito financeiro, o BC uruguaio determinou também limites para os saques, que desde ontem sãode cerca de US$ 150 por dia. Não se sabe, porém, como ficarão essas operações na segunda-feira, quando o feriado bancário deverá ser suspenso.
Segundo o ministro, o país receberá ajuda adicional do Fundo Monetário Internacional (FMI), o que, de alguma forma, exigirá modificações na carta de intenções assinada em maio com o Fundo.
Os detalhes dessas modificações, segundo o ministro, serão divulgados na próxima semana. Atchugarry não antecipou o montante do socorro financeiro do FMI, embora a imprensa uruguaia e analistas do mercado financeiro estimem entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões, dos US$ 1,5 bilhão que o FMI já havia confirmado em maio como ajuda adicional.


