Urnas funerárias oferecem 'conforto' ao falecido
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sábado, 27 de junho de 2009
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Um trabalho artesanal diferente feito em uma pequena fábrica familiar de Ibiporã (14 quilômetros a leste de Londrina) começa a ganhar o País. O produto é incomum, sua utilidade provoca certo desconforto em algumas pessoas, mas chama a atenção pelo luxo. A Soft Line Urnas produz urnas funerárias de luxo há 10 anos e o produto tem feito tanto sucesso que a família Gianjacomo está formatando um site para divulgar a produção e já pensa em ampliar os negócios.
''Temos dois modelos, o sextavado que é mais simples, com seis cantos, e o dextavado de dez cantos. São muitas cores. Todos têm tido muita aceitação pelo mercado'', conta Franck Douglas Gianjacomo, um dos proprietários da fábrica. Ele conta que a ideia de fabricar caixões de luxo veio da mãe, Irani Spindola Gianjacomo, que queria fazer um produto mais bonito dos que os que já havia no mercado na tentativa de deixar o velório um momento menos triste.
''Na época em que ela era criança e morava no sítio, quando as pessoas da redondeza morriam, pediam para o meu avô construir um caixão. E ele fazia lá um caixote, uma coisa muito simples e enterravam a pessoa. Então, minha mãe via aquilo e sempre teve o sonho de fazer algo diferente'', relata Franck. Como a família já tinha uma pequena fábrica de estofados e mexia com espumas, tecidos, passou também a investir no mercado de urnas funerárias. O produto foi patenteado.
Atualmente, a Soft Line produz cerca de 20 urnas por mês, executadas manualmente. Todas são feitas em madeira, encapadas com espuma e forradas com cetim drapeado. Além disso, ainda recebem acabamento com renda e são compostas por travesseiros. Por fora, são revestidas com veludo, e ganham detalhes em capitonê. O produto é revendido por funerárias, espalhadas em vários estados, entre eles Santa Catarina, Rio de Janeiro e Bahia. No mercado, os preços dessas urnas podem variar de R$ 3 mil a R$ 7 mil, dependendo do modelo.
Além de Franck, trabalham na fábrica sua esposa, Heloísa, seu pai, Aristides, o irmão Ricardo, a cunhada, Roberta e o amigo, Edson Aparecido Santos. A atividade que para muitos pode ser considerada fúnebre e soturna, não provoca esse sentimento na família Gianjacomo. ''A gente não olha para o lado fúnebre, olha para a beleza do trabalho, dos detalhes embutidos'', conta. ''Mas somos humanos e é claro que a ideia da morte passa pela cabeça, mas é um trabalho como qualquer outro'', confessa Franck.
Ricardo completa que a família encara a morte como qualquer outra pessoa e também considera o velório um momento triste. ''Mas nossa 'alegria' é ver a pessoa ser enterrada em um caixão especial, que foi feito com carinho, manualmente. O que desejamos é que as pessoas sejam enterradas com dignidade'', acrescenta.
A família Gianjacomo está elaborando um site para poder apresentar mais detalhadamente o produto. E também pensa em ampliar os negócios, transferindo a pequena fábrica para um espaço maior e contratando mais funcionários. Existe ainda a intenção de exportar a produção, já que eles contam com um representante no Rio Grande do Sul que atende também alguns países da América Latina. ''Estamos crescendo devagar, dando passos de acordo com nossas possibilidades'', afirmou Franck.


