As universidades brasileiras, tanto as públicas quanto as particulares, passam por um processo de mudanças - estão mais voltadas à atender as necessidades do mercado de trabalho. O equilíbrio entre o contingente formado pelo ensino superior e a oferta de vagas parece ainda distante. Ainda há cursos com muita procura e poucas perspectivas e outros com menos interessados, mas com falta de mão de obra para atender a demanda. As áreas que mais se destacam atualmente estão relacionadas à infraestrutura e tecnologia da informação. A maior parte dos profissionais formados nestas duas áreas têm emprego garantido.
Para o professor Eleazar Ferreira, reitor do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), em Londrina, o foco no mercado de trabalho representa uma nova etapa para o ensino superior no Brasil. ''Vivemos uma fase em que o jovem precisa fazer uma faculdade para ter uma opção de trabalho'', afirma. Como referência, ele cita os chamados cursos tecnológicos. ''São cursos que efetivamente formam mão de obra. Na gastronomia, por exemplo, o recém formado deixa o curso hoje e amanhã está empregado'', garante.
Ferreira analisa que este fenômeno tem as suas vantagens, mas prejudica os cursos de licenciatura, voltados para a formação de professores. ''Estes cursos estão em crise em várias universidades, têm baixa demanda e ninguém quer fazer porque o salário do professor é baixo''. Em contrapartida, lembra que ''a demanda é altíssima na área de tecnologia da informação, que garante 100% de empregabilidade''.
Na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPr), em Curitiba, os cursos de Engenharia são tradicionalmente os mais procurados. O professor Jair Almeida, chefe do departamento seletivo nos 11 campi da instituição, aponta como motivos o alto nível e a gratuidade do ensino na UTFPr, além de estes cursos oferecem mais perspectivas de trabalho que outros relacionados à tecnologia da informação. ''Na área de Engenharia há um leque maior de oportunidades, de credenciamento e de atribuições porque a demanda em termos de infraestrutura no País é cada vez maior''.
Seguindo o conceito de desenvolvimento, Almeida considera promissores os cursos de Química e os relacionados ao meio ambiente. ''Toda a evolução no Brasil está voltada para estas duas áreas, desde a exploração do petróleo no pré-sal até o aumento da conscientização ambiental'', justifica.
O pró reitor de graduação da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), de Cascavel, professor Eurides Kuster, não acredita na existência de cursos com mais oportunidades de mercado ou que sejam mais promissores. ''Na minha opinião, todos os cursos oferecem boas perspectivas porque há demanda em todas as áreas''.
Para ele, tudo depende da formação e de onde a pessoa pretende exercer a profissão. Kuster explica que há uma concorrência grande nas cidades onde os cursos estão estabelecidos, mas exitem centenas de outros municípios que precisam do trabalho de profissionais em todas as atividades produtivas.

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