Universidades corporativas ganham força no mercado
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de setembro de 2015
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Se o desenvolvimento profissional é um dos principais motivos para que o funcionário deseje permanecer em um emprego, o treinamento interno precisa fazer parte da pauta de prioridades para as empresas no País. Pesquisa da consultoria Deloitte com 126 organizações aponta que 28% já possuem universidades corporativas e que outros 20% demonstram interesse em criar a estrutura nos próximos dois anos. Além de buscar reter os profissionais, a tendência visa dar competitividade frente à concorrência global.
Estudo de 2013 da consultoria Hay Group já apontava a relação direta no interesse de um trabalhador em permanecer no emprego. Em 2011, entrevistas apontaram que 72% das pessoas que pretendiam ficar mais de cinco anos em uma empresa o faziam porque reconheciam a oportunidade de alcançar objetivos na carreira. Entre os que desejavam procurar novos ares, somente 36% tinham o mesmo sentimento.
Conforme a Deloitte, a prática tende a crescer nos próximos anos. O diretor da consultoria, Marcos Braga, acredita que o Brasil tem uma deficiência mais acentuada em capacitação porque a educação pública ainda precisa melhorar. "Treinar pessoas é algo que sempre existiu nas empresas e o que estamos observando é um aumento da preocupação com isso", diz.
Para o diretor, o problema é mais acentuado no Brasil do que em outros países pela deficiência na educação básica. Ele ressalta que sempre houve treinamentos dentro de empresas para os profissionais e o que muda pelo novo conceito é a criação de uma estrutura interna voltada para a capacitação. "O objetivo não é substituir a formação em universidades, mas organizar o treinamento empresarial de forma a estar aliado aos objetivos da corporação", explica.
Os benefícios principais são a redução da perda de funcionários e de erros, além do aumento de foco e de qualidade. "Um dos fatores mais importantes para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho é a oportunidade de desenvolvimento, então se trata de um fator importante para a retenção de profissionais", diz o diretor da Deloitte.
Especialista em finanças públicas e mercado de trabalho, Cid Cordeiro considera que universidades corporativas são necessárias para empresas que desejam alinhar a atuação dos profissionais às questões estratégicas. "Isso pressupõe cursos contínuos, o que exige um certo porte das empresas e depende dos objetivos que se busca atingir", afirma.
Cordeiro lembra que a prática chegou ao Brasil nos anos 1990 e que, nos últimos anos, observou um aumento na procura pela contratação de cursos terceirizados. Porém, ele acredita que seja mais voltado para executivos, enquanto o chamado chão de fábrica precisa mais de treinamentos voltados à função. "Um dos pontos-chave no Brasil é que falta competitividade muito pela baixa qualidade na gestão, que é o setor que precisa ter o desempenho melhorado", comenta.
Crise
Marcos Braga, da Deloitte, completa que, durante um período de crise, é comum que os empresários diminuam o ritmo de investimentos em qualificação, quando não são extremamente necessários. Isso porque a média de recursos aplicada em treinamentos representa 0,47% do faturamento das empresas, segundo a consultoria. "Existe também um processo de transição de treinamentos presenciais para os cursos on-line, cuja adoção tende a aumentar com o atual cenário econômico", prevê o diretor.


