A especulação imobiliária colocou a Igreja Universal do Reino de Deus na disputa pelo terreno do antigo ginásio de esportes Colossinho (centro de Londrina). Segundo o vereador e pastor Renato Lemes (PRB), a Universal não possui sede própria na cidade e os cinco templos em funcionamento lotam de fiéis todos os finais de semana. ''A demanda por espaços maiores provavelmente foi a responsável pela proposta que recebemos. O problema é discutido sem precipitação pela igreja que procura uma solução adequada às suas necessidades'', explicou.
A decisão, segundo o vereador, caberá ao bispo Edir Macedo, que necessitará de R$ 8 milhões para adquirir o terreno de 14.058 metros quadrados, localizado entre as ruas Quintino Bocaiúva, Eduardo Benjamin Hosken, Paranaguá, Santos e Mossoró.
O imóvel pertence à KDV Participações Ltda e o imobiliarista Abílio Medeiros é quem defende seus interesses comerciais. Conforme ele, a Igreja Universal do Reino de Deus quer construir uma catedral, semelhante às existentes nas capitais de Estado, naquele terreno. ''Seus engenheiros já estiveram aqui e colheram informações necessárias ao projeto na prefeitura'', afirmou.
O terreno mede 14.058 metros quadrados e foi dividido em 22 lotes que, de acordo com declarações do próprio Medeiros, feitas à reportagem da Folha, em março deste ano, serviriam a prédios residenciais e galeria de lojas. ''Temos sete ofertas de compra, mas vamos esperar a resposta do bispo até o início da próxima semana porque é mais interessante vender o produto inteiro'', disse o imobiliarista. O preço do metro quadrado varia de R$ 500,00 a R$ 750,00, conforme a localização e o tamanho do lote (490 a 862,5 metros quadrados).
Na opinião dos comerciantes Márcio Dias e Agostinho Antonio Palu, a melhor opção para a vizinhança e cidade seria condomínios e lojas. Cada um apresentou justificativas diferentes. Para Dias, uma igreja pode ser instalada em qualquer parte da cidade, mas residências precisam de infraestrutura comercial para atrairem o interesse de compradores. ''Além de revitalizar a região, os prédios residenciais gerariam mais postos de trabalho'', disse Palu.
Ao contrário deles, Alcides Bueno, proprietário de um quiosque de sucos naturais, ficou decepcionado com a desistência da rede norte-americana de hipermercados Wal Mart pelo terreno. ''Seja qual for a utilidade, é melhor que o abandono. O aumento no fluxo de pessoas valorizará a área e reabrirá alguns imóveis comerciais que estão fechados há muito tempo'', conforma-se Bueno, que trabalha há 21 anos na praça em frente ao terreno.
O taxista Otávio Melendes, que passou os últimos oito anos de profissão ao lado do antigo Colossinho, concorda com os comerciantes. Depois da limpeza e demolição dos escombros, o ponto de táxi em que ele trabalhava foi transferido para a frente de um supermercado vizinho, mas isso não diminuiu a clientela. Geni Gonçalves da Fonseca, porteira deste supermercado, acredita que a melhor destinação para o local seria um serviço público como, por exemplo, hospital, creche ou escola. ''Mas que funcionasse de verdade'', complementa.
A inspetora de alunos Dirce Costa, moradora da região há mais de 20 anos, aprovou o convite feito à Igreja Universal. ''Independentemente da religião, nosso povo está precisando de palavras de fé e quanto mais templos de oração melhor'', respondeu.

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