O Núcleo da Fundação Interuniversitária de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho (Unitrabalho) de Maringá, que vai ser instalado nesta quinta-feira na Universidade Estadual de Maringá (UEM), condenou ontem a flexibilização das relações de trabalho.
‘‘Essas relações já são bastante flexibilizadas. Não há mais necessidade disso. O que se vende por aí é que a flexibilização vai aumentar o número de empregos e ampliar o mercado, o que é uma mentira’’, disse o professor de Economia da UEM e membro do núcleo, Hugo Agudelo. ‘‘Retirar o encargo social não vão criar novos empregos. Só vai aumentar o salário do patrão’’, disse o professor.
Em todo o País, 76 universidades federais e estaduais já estão filiadas à Unitrabalho - no Paraná, a UEM foi a segunda instituição a se vincular à entidade. A primeira foi a UFPR. A Unitrabalho realiza estudos, pesquisas e consultorias para ONGs, sindicatos e órgãos do governo e promove debates, incentiva publicações e programas de formação profissional relacionados com as questões do trabalho no mercado brasileiro.
A Unitrabalho chega à UEM com três preocupações: a questão da terra, o desemprego na cidade e no campo e as perspectivas do movimento sindical para o século 21. Esses problemas serão discutidos em seminários que serão realizados na Universidade de Maringá a partir de janeiro do próximo ano.
O núcleo de Maringá está concluindo estudo sobre as cooperativas de trabalho industrial e de serviços. ‘‘Essas cooperativa são empresas formadas por trabalhadores que assumem uma indústria falida e que passam da condição de empregados para a de associados. As cooperativas de serviço vão vender força de trabalho. Deu certo na Europa e nos EUA e vai dar certo aqui’’, diz com esperança a coordenadora da Unitrabalho de Maringá, Maria Nezilda Culti, professora do curso de Economia da UEM.
No núcleo da USP, informou a professora, já existe um grupo que está elaborando estudo sobre economia solidária e auto-gerida, coordenado pelo economista e professor Paul Singer, para dar sustentação à implantação dessas cooperativas de trabalho na região.
Segundo ela, é grande a preocupação de seus alunos na UEM sobre as perspectivas de emprego. ‘‘A tendência atual é o aluno terminar o curso de graduação e imediatamente entrar num curso de pós-graduação, por dois motivos: primeiro, porque sabe que não tem emprego lá fora; depois, com pós-graduação, será mais fácil encontrar posto de trabalho pois estará melhor preparado’’, explicou Maria Nezilda.
Para a professora Maria Isabel de Souza Lopes, do curso de Ciências Sociais da UEM, existe no País uma cultura de que o cidadão é preparado para trabalhar como assalariado. ‘‘Todos nós precisamos de uma carreira. O próprio mercado exige uma mudança, mas aqui no Brasil não é assim, esta é a mentalidade existente. Mesmo para os trabalhadores qualificados o emprego está difícil, porque os postos perdidos não estão sendo recuperados. Na verdade, nós precisamos formar trabalhadores para atender melhor o espírito do cooperativismo’’, disse Maria Isabel.
‘‘Por isso é que digo que flexibilizar ainda mais as relações trabalhistas, retirar os contratos temporários, fazer o banco de horas, nada disso vai aumentar a capacidade produtiva. O grande problema nosso é que a abertura do mercado trouxe a tecnologia, que desbancou a mão-de-obra’’, completou o professor Agudelo.
A solução para esta situação, na opinião do professor Ângelo Priori, do curso de História da UEM, seria ‘‘a implantação de uma política econômica articulada de crescimento. A política de recessão que está sendo implantada vai diminuir a base produtiva’’, ele afirma.
Participam ainda do Núcleo da Unitrabalho da UEM os professores Antônio Ozair da Silva e Celene Tonella, do curso de Ciências Sociais.

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