O Brasil teria 1,2 milhão de contratos ao ano para jovens aprendizes, mas apenas 36% deste número (440 mil) são fechados no período. A informação é de André Tomé Igreja, diretor substituto do Departamento de Políticas de Trabalho e Emprego para Juventude e coordenador geral de Parcerias Empresariais do Ministério do Trabalho e Emprego. De Brasília (DF), Igreja esteve em Londrina na semana passada para fazer uma visita e conhecer as estruturas do Centro Universitário Filadélfia (UniFil) a fim de realizar uma parceria com a instituição para um programa de capacitação profissional do Projeto Jovem Aprendiz, chamado Arco Ocupacional do Desporto.
O programa permite que as empresas enviem jovens aprendizes a clubes ou instituições ligadas ao esporte que irão capacitá-los para se tornarem auxiliares de práticas esportivas, auxiliar de eventos esportivos ou auxiliares de administração esportiva. O Arco Ocupacional do Desporto até agora foi colocado em prática apenas em Brasília e no Rio de Janeiro. Londrina será a primeira cidade do País a oportunizar a formação de jovens como auxiliares de práticas esportivas dentro do programa do Ministério do Trabalho.
Segundo Igreja, muitas empresas têm dificuldades de inserir jovens aprendizes em seu quadro devido à natureza de suas atividades. "As empresas de médio e grande porte têm a obrigação de cumprir a Lei da Aprendizagem. São estipuladas cotas, de no mínimo 5% e no máximo 15%, dependendo do quadro de funcionários de cada empresa. O que acontece na prática é que algumas têm dificuldades de cumprir essa cota devido às suas ocupações, por serem perigosas. São atividades para a quais a empresa não poderia dar condições para que esses jovens tenham uma formação profissional."
Gerente regional do Ministério do Trabalho de Londrina, Dorival Arantes afirma que na região também há muitas empresas cujas atividades impossibilitam a inclusão de jovens aprendizes. "São frigoríficos, empresas de ônibus, construtoras", exemplifica.
"A gente vê o Arco do Desporto como uma alternativa para a empresa cumprir a cota dando a oportunidade para o jovem se inserir no mercado de trabalho através de uma atividade que ele gosta. A empresa que estiver apostando nessa modalidade também vai ter o benefício do marketing positivo", acrescenta Igreja. De acordo com ele, também estão sendo estudados o "arco das práticas culturais" e o "arco do ecoturismo" para o projeto no País.
Com a infraestrutura oferecida pela instituição, a UniFil teria a capacidade de capacitar jovens aprendizes para as práticas esportivas. "Temos no campus central da UniFil as instalações de ginásios, quadras poliesportivas, de arremesso, e no campus do antigo clube Canadá instalações para a prática de esportes. Temos também a ACM com quadra de tênis, piscina, basquete, vôlei. Professores de Educação Física e da área de saúde estarão apoiando estes alunos com projeto didático pedagógico", declarou o reitor da instituição, Eleazar Ferreira. Na instituição, o jovem aprendiz poderia estudar e praticar esportes como futsal, basquete, vôlei e outras modalidades, segundo o reitor.
Conforme o diretor do MTE, o credenciamento da instituição deve sair até o final do ano para que as atividades do programa tenham início no começo do ano que vem. "Falta a validação e o fechamento de alguns detalhes. Hoje (sexta-feira passada) já damos o pontapé. Estivemos acompanhados do superintendente regional do trabalho e de auditores verificando as instalações e todos saímos satisfeitos acreditando que esta parceria vai realmente se efetivar", ressaltou Igreja.

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