Unifil compra o Canadá Country Club
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sábado, 19 de setembro de 2015
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O Centro Universitário Filadélfia (Unifil) adquiriu o terreno de 32 mil metros quadrados (m²) onde ficava o Canadá Country Club, por valor não divulgado pelas duas partes. A instituição de ensino assumiu as dívidas do clube, estimadas em mais de R$ 12 milhões, e pagará todo o passivo em dois anos. Nos 60 meses após esse período, os 415 sócios remidos e os 80 mensalistas passarão a receber um valor mensal.
A Unifil investirá ainda cerca de R$ 10 milhões no local nos próximos três anos, na reforma, construção e adaptação da estrutura. A negociação foi fechada há dez dias e durou um mês, mas a discussão sobre a compra ocorre desde março, de acordo com o último presidente do Canadá, o empresário José Ricardo Marquezini Jabur, conhecido como Pinguim. A venda foi aprovada em assembleia de sócios.
Com dificuldades financeiras e deficit de R$ 28 mil ao mês, o clube havia fechado as portas definitivamente no último dia 26 de junho. O local foi leiloado para o pagamento de dívidas por diversas vezes, a última no dia 17 de abril, pela 1ª Vara de Execuções Fiscais de Londrina, por débitos de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). O valor de avaliação, na época, foi de R$ 27 milhões em primeira chamada e de R$ 13,7 milhões em segunda. Não houve interessados.
O reitor da Unifil, Eleazar Ferreira, afirma que foi procurado por um corretor de imóveis, que intermediou o processo de compra. Ele explica que uma cláusula de confidencialidade impede a publicidade dos valores. "Assumimos todas as dívidas, como a diretoria queria, e já pagamos bastante coisa. Estamos agendando outras negociações", diz.
Pinguim conta que o clube teria ido a leilão novamente na semana passada, desta vez por dívidas trabalhistas. No entanto, a instituição de ensino depositou o valor da dívida na Justiça. "Eles foram muito decentes de não comprar em leilão. Teve um em que queriam vender por 13 milhões e eles poderiam ter pago só isso", completa o ex-presidente.
A escritura será repassada à Unifil definitivamente quando começarem os pagamentos aos associados. "Entregamos agora porque dá a opção de reformularem tudo, porque o local já estava virando mocó", cita Pinguim.
AMPLIAÇÃO
A Unifil planeja abrir mais sete cursos no local em três anos, com foco em engenharias e tecnologia. Os R$ 10 milhões previstos para investimentos serão aportados em até cinco anos, para a readequação e construção de salas de aula, laboratórios e clínicas. O local, que será conhecido como Campus Clube, abrigará ainda estruturas de enfermagem, fisioterapia, ensino a distância, marketing e educação física, que hoje usam prédios alugados espalhados por Londrina. "Vamos concentrar atividades existentes fora do campus central em um primeiro momento e os novos cursos só serão abertos em 2017", comenta o reitor.
As novas construções devem ser feitas na área plana onde ficavam as quadras de tênis do Canadá. Apesar do terreno menor do que o da matriz, que tem 35 mil m², o complexo será maior pela possibilidade de contar com mais andares. "Sabemos do zoneamento aqui, os prédios têm de ser baixos, temos o fundo de vale onde não se pode construir, então vamos respeitar, sem problemas, porque atende bem o que queremos", afirma Ferreira.
A Unifil emprega 1,3 mil pessoas e deve abrir mais 300 vagas. São 9 mil estudantes na instituição, que planeja chegar a 20 mil em até oito anos. Há seis anos a instituição havia criado seis cursos, que atraíram mais 4 mil alunos. No período, também foram concluídos o hospital, o Campus Palhano de Ciências Agrárias e a compra de 15 alqueires em área rural para cursos adjacentes.
OPORTUNIDADE
O reitor afirma que o cenário econômico não impede os gastos, que serão pagos com recursos próprios e financiados por bancos de desenvolvimento nacional (BNDES) e regional (BRDE). Porém, reconhece que terá de cortar custos. "Não tinha no coração a proposta de investimento neste ano, pela crise, inadimplência que subiu, diminuição da procura por vagas em cursos superiores, mas foi a oportunidade que surgiu. E temos uma proposta de crescimento", justifica, ao completar que busca disputar o mercado principalmente com a Unopar. "Estávamos preparados e encaramos o desafio. Se estivéssemos em boom imobiliário, talvez alguma construtora teria levado."


