Unificação apresenta primeiros resultados
Quase três anos e meio depois do acordo que unificou 10 cooperativas de leite de Londrina (Cativa), Maringá (Colmar), Mandaguarí (Colari), Santo Antônio da Platina (Coplac) e a Centralnorte, de Apucarana, representando mais seis cooperativas singulares: Rolândia (Corol), Maringá (Cocamar), Guarapuava (Coamig), Porecatu (Cofercatu), Astorga (Cocafé) e Nova Londrina (Copagra) - a situação é bem melhor para as que sobreviveram, enxugadas e saneadas.
O produtor, porém, está recebendo menos, em termos reais pelo litro de leite (R$ 0,26) em comparação com o que obtinha até o dia 1º de setembro de 1998, data da unificação (R$ 0,30). A perda de renda dos produtores, na opinião de dirigentes cooperativistas, está relacionadas a fatores macroeconômicos e a acirrada disputa de mercado. O leite não foi o único produto do agronegócio a sofrer esta nova realidade.
A unificação possibilitou de imediato uma substancial redução do custo operacional de R$ 350 mil/mês. Antes da unificação cada cooperativa tinha uma fábrica; o que era feito por 750 pessoas hoje ocupa 350. Menos despesas com pessoal e menos encargos. Ao mesmo tempo, o volume de captação de leite aumentou de 90 milhões para 102 milhões/ano.
O presidente da Cooperativa Central Agro-industrial Ltda (Confepar), Renato José Beleze, tem outros números que mostram a transformação das cooperativas fialiadas e da própria Confepar. E tem metas de crescimento, inclusive com a criação de uma trade - juntamente com outros grupos da cadeia produtiva - que tratará da exportação de leite.
Com as mudanças, saíram de linha muitos derivados - queijo, requeijão, doce de leite, etc -, o que possibilitou focar a administração e comercialização em cima do leite em pó. Ao abrir mão do valor agregado o novo enfoque possibilitou o ganho em escala. Assim, a Confepar - Cooperativa Central Agro Industrial do Paraná - saiu de um faturamento bruto de R$ 58 milhões em 1999, um resultado negativo, para R$ 83 milhões em 2001, já como resultado positivo.
Consolidada a reversão de tendência, a etapa seguinte, em 2001, foi de investimentos. A Confepar está investindo R$ 10 milhões em equipamentos. Vamos aumentar ainda mais a capacidade da indústria, garante o presidente, que é produtor e médico-veterinário. Foi a única cooperativa do País a utilizar recursos do Recoop (15 anos de prazo, a juros de IGPD + 6% ao ano) para expansão e não para pagamento de dívidas.
A projeção para 2002 (veja texto ao lado) é aumentar em 14% a absorção de matéria-prima, que no ano passado foi de 102 milhões de litros/ano (91 milhões no ano 2000). Os dados, porém, não param ai.
CONFEPAR
- Desempenho da Cooperativa Central Agro-industrial Ltda (Confepar) após unificação:
- Crescimento de 25% na receita bruta do ano passado sobre faturamento de 2000.
- Saiu de um faturamento bruto de R$ 58 milhões, resultado negativo, para R$ 83 milhões em 2001.
- Previsão de crescimento de 14% na captação e recebimento de leite.
- Crescimento da produção industrial: 70% no leite em pó, seu forte, e 30% no leite longa vida, das marcas Polly e Cativa.
- Com base nos dados da empresa, a indústria da Confepar estaria aumentando a sua capacidade total de 600.000 lts/dia para 850.000 lts/dia.
- Deste total, metade seria prestação de serviços à terceiros.
- Produz 37 ton./dia em leite em pó; 150.000 llts/dia UHT e 60.000 lts/dia de pasteurizado.
- A partir de maio esses números vão mudar: a produção de leite em pó passará para 60 t/dia; leite longa vida vai para 160 mil e o leite pasteurizado 70.000 lts/dia.
- Processa 600 mil litros de leite/dia (equivale a entrada de 20 carretas e 10 caminhões)
- Área de ação e captação compreende as regiões norte, noroeste e sul do Estado do Paraná.
- área de ação da Confepar e suas cooperativas: Captamos leite nas regiões: norte,noroeste e sul do estado do Paraná.
- Número de produtores-fornecedores: mais de 3.000 no ano passado.
O QUE MUDOU
- As cooperativas preferiram a produção em escala de leite em pó, pasteurizado e longa vida, abandonando a idéia de agregar valores com a produção industrial.
- Essa tarefa foi transferida para a Confepar, que já desempenhava papel correlato e também fabricava suas próprias marcas.
- Muitas marcas desapareceram do mercado. Só a cativa tinha um leque de 42 itens entre queijos e bebidas lácteas.
- As cooperativas singulares fecharam as suas fábricas e passaram a cuidar mais da captação do leite junto ao produtor.
- Com isso, implementaram as vendas dos fatores de produção: insumos da pecuária e da produção de grãos e grãos forrageiros.
- Com a Confepar, também saneada e mais competitiva, o setor cresce como fornecedor de matérias-primas para indústrias de ponta, as grandes marcas.
- Com essas mudanças, após longo processo de discussão, também houve reforma administrativa e saneamento financeiro.
- Nesta fase também foram beneficias com o Recop, plano de revigoramento do setor.
- Mas enxutas, as cooperativas buscam agora oferecer mais serviços aos produtores para sobreviver num mercado exigente e concorrido.





