Curitiba As paralisações surpresa, com duração de 24 horas, organizadas pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) atingiram, ontem, duas unidades da Petrobras no Paraná: a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, e a Superintendência para Industrialização do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul (91 km a nordeste de União da Vitória). A Refinaria do Planalto (Replan), em Campinas (SP), também aderiu ao movimento, que tem por objetivo pressionar a direção da Petrobras a negociar o reajuste salarial.
A mobilização começou na última segunda-feira, depois de quatro rodadas de negociação mal sucedidas entre a FUP e a Petrobras. A federação não aceitou a proposta de repor o Índice de Custo de Vida (ICV) de 7,81%, calculado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Os petroleiros reivindicam 13,2%, o que corresponde ao ICV mais um aumento real de 5%.
As paralisações acontecerão até a meia-noite de sexta-feira. A Transpetro, em Paranaguá (Litoral do Estado), ainda deverá entrar na programação. A Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, é, por enquanto, a única unidade que está em greve, desde segunda-feira, por tempo indeterminado.
Segundo informações da FUP, a adesão do turno da meia-noite nas duas unidades paranaenses foi total. Na SIX, cerca de 50% dos funcionários de setores administrativos também teriam cruzado os braços.
A assessoria de imprensa da Petrobras no Paraná informou que, em função do movimento, não houve troca de turnos desde a zero hora de ontem. Os 50 funcionários da Repar e 17 da SIX, que sairiam à meia-noite, continuaram trabalhando e fazendo revezamento entre eles mesmos. Segundo a assessoria, isso foi um acordo do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro) com os empregados.
A Repar tem 590 funcionários do quadro próprio, que se dividem em cinco turnos de trabalho. Na SIX, são 270 empregados efetivos. Segundo a assessoria, os funcionários administrativos não aderiram à paralisação.
Ainda de acordo com a assessoria da Petrobras, a produção diária dos 32 milhões de litros de derivados de petróleo na Repar e das 7,8 mil toneladas de xisto na SIX não foi comprometida.
O presidente do Sindipetro, Anselmo Ernesto Ruoso Júnior, negou qualquer acordo para turno contínuo dos funcionários. O sindicato, segundo ele, já se dispôs, em outras ocasiões, a negociar com a Petrobras um quadro de contingência para situações como a de ontem, mas não teria havido retorno da empresa. O sindicalista alertou para os riscos de manter funcionários trabalhando por um período tão prolongado.
Ruoso Jr. disse que os funcionários do Paraná e Santa Catarina estão em estado de greve e o Sindipetro pode convocar assembléias a qualquer momento para discutir os rumos da mobilização.

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