Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um sistema para produção de álcool combustível capaz de aumentar em até quatro vezes a produtividade das usinas do setor. Depois de três anos de testes em laboratório, os coordenadores da pesquisa preparam-se para montar em 1998 uma usina-piloto que pretende aperfeiçoar o sistema.
‘‘Os primeiros resultados demonstram que o novo modelo pode reduzir o preço do combustível nas bombas’’, disse o professor José Augusto Rosário Rodrigues, que coordena a pesquisa junto com os colegas Paulo José Samenho Moran e Inês Joekes. Segundo ele, isso será possível porque o método, além de aumentar a produtividade, elimina etapas no processo de produção do álcool.
O sistema desenvolvido pelos pesquisadores associa pela primeira vez o amianto crisotila, espécie de fibra mineral, ao microrganismo Saccharomyces cerevisiae, usado como fermento para panificação. Colocado dentro de um reator tubular de PVC, o amianto absorve o microrganismo, formando um sistema contínuo de fermentação alcoólica.
No sistema atual, a fermentação do melaço de cana, que serve de matéria-prima para a produção do álcool, é feita em tanques. Para separar o fermento do melaço, é necessário passar a mistura por um processo de centrifugação. Além disso, segundo Rodrigues, a manipulação constante quase sempre contamina os microrganismos, que precisam ser tratados com antibióticos.
‘‘Com o novo método, eliminamos todas essas etapas’’, garante. No sistema desenvolvido pela Unicamp, de acordo com Rodrigues, o risco de contaminação foi praticamente eliminado. ‘‘O fermento fica o tempo todo acondicionado dentro do reator, absorvido pelo amianto’’, explica. Isso também dispensa a centrifugação, porque o microrganismo não fica disperso entre o melaço.
‘‘Criamos um processo contínuo de fermentação, sem precisar trocar o microrganismo a cada remessa de melaço’’, afirma o pesquisador. Segundo ele, o melaço que entra pelo reator sai do outro lado já transformado em caldo fermentado, do qual será extraído o etanol e o álcool. ‘‘É mais simples, ocupa menos espaço e pode baratear o produto final’’.
O pesquisador diz que a principal inovação está em manter as células ativas imobilizadas no reator. No processo convencional, os nutrientes são colocados em tanques e, depois de algumas horas, retira-se o álcool fermentado e os microrganismos são trocados. ‘‘Em nosso sistema, as células são mais aproveitadas e podem receber o líquido por cerca de três meses sem precisar de substituição’’.
Uma das principais vantagens do novo sistema, segundo Rodrigues, está no significativo ganho de produtividade. No sistema atual usado pelas usinas, cada 100 litros de melaço produzem no máximo 5 litros de álcool. ‘‘Com o método de fermentação contínua, essa mesma quantidade de matéria-prima resultará em 20 litros de álcool’’, garante.
A pesquisa, que nos últimos três anos consumiu cerca de R$ 500 mil, está sendo financiada pela empresa Sama S.A. Amianta Brasileiro. O amianto usado é o mesmo empregado na produção de caixas d’água, porém mais purificado. Segundo Rodrigues, por se tratar de uma fibra mineral, não oferece riscos à saúde. ‘‘As fibras não são inaladas como o amianto em pó’’, explica.

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