Unica afirma que não faltará álcool
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sexta-feira, 14 de março de 2003
Agência Estado 
Ribeirão Preto O ex-presidente e atual conselheiro da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), João Carlos Figueiredo Ferraz, afirmou que não haverá desabastecimento de álcool em abril. De acordo com ele, 80% do setor assinou contrato para a antecipação da produção de maio, quando começa a safra de cana-de-açúcar, para este mês, mas a expectativa é de que todo o setor assuma o compromisso de antecipar a produção.
O contrato com o setor formaliza o acordo com o governo federal para que os usineiros garantissem o abastecimento, antecipando a produção de 600 milhões de litros do produto em março e abril. A entidade, que congrega 80% da produção nacional, está conversando com alguns usineiros que não formalizaram a antecipação e a adesão deverá ser total, disse Ferraz. ''Pelo menos em São Paulo eu entendo que todos irão formalizar o acordo.''
Rebeldes - O maior temor do setor sucroalcooleiro é de que um pequeno grupo de usineiros, ''rebeldes'', não cumpra o acordo de antecipar a produção de álcool para garantir o abastecimento. E que decida pela produção do açúcar, pois é certo o aumento do preço do produto no mercado internacional com a queda da produção no Brasil, maior exportador mundial.
Como o País prevê aumentar a produção de álcool de 11,1 bilhões de litros para 12,6 bilhões na safra 2003/2004, a produção de açúcar cairá de 17 milhões para 15 milhões de toneladas. Só essa diferença, de 2 milhões de toneladas, corresponde a 6% das 33 milhões de toneladas do produto que são negociadas mundialmente. Diante disso, esses produtores, os mesmos que foram rotulados de ''malandros'' pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, se beneficiariam com o aumento no preço, em virtude da redução na oferta.
Falta - A estratégia da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) é chamar os produtores rebeldes para que se enquadrem no acordo feito pelo setor. A declaração de que iria faltar álcool em abril, dada ontem em Araçatuba pelo presidente da entidade, Eduardo Pereira de Carvalho, faz parte dessa estratégia, segundo usineiros. A declaração foi encarada como um recado ao grupo rebelde, já que estes produtores de álcool são poucos e não teriam um papel decisivo na produção capaz de causar um desabastecimento.


