O Unibanco anunciou ontem a compra do Banco Bandeirantes, que desde 98 pertence à Caixa Geral de Depósitos, maior banco português. Com essa nova aquisição, a segunda do ano – a primeira foi o Credibanco – o Unibanco não galgará nenhuma posição no ranking de bancos privados brasileiros, mas ficará bem mais próximo do Itaú, o segundo colocado.
Ambos continuam muito distantes do líder, o Bradesco. Se o Unibanco não encontrar qualquer problema nas contas do Bandeirantes, a operação custará R$ 1,2 bilhão. Não haverá dinheiro na transação. Os 98% do capital do Bandeirantes que pertencem à CGD serão pagos integralmente com ações do Unibanco e da Unibanco Holding.
Em troca do Bandeirantes, a Caixa Geral de Depósitos ficará com 10% do capital votante da Unibanco Holding, que controla o Unibanco. Será, assim, o maior acionista estratégico do banco depois da família Moreira Salles. A participação da CGD no capital total do Unibanco poderá chegar a 14,8%, dependendo da auditoria nas contas do Bandeirantes.
A operação surpreende pelo tamanho. Cinco anos após ter comprado o Nacional, o Unibanco está colocando para dentro de casa um novo Nacional. Em 95, os ativos do Nacional somavam R$ 9,2 bilhões e o Bandeirantes tem hoje R$ 9,1 bilhões. Claro que o mercado se expandiu de lá para cá e o peso proporcional não é o mesmo.
Bradesco e BoavistaO presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, informou que o contrato de compra do Boavista será assinado hoje pela instituição. O valor do négocio é estimado pelo mercado financeiro em torno de R$ 430 milhões. O executivo adiantou que o Bradesco planeja terminar nos próximos 30 dias uma avaliação mais profunda sobre a situação da instituição.
As antigas agências do Boavista vão mudar a bandeira para Bradesco, mas algumas podem ser repassadas ao BCN. Cypriano acredita que essa compra foi a principal responsável pela valorização de 12% verificada nas ações do banco nos últimos 30 dias.
A negociação para a venda do banco durou dois meses e foi concluída graças a um acordo com os ex-donos do Boavista, representados pela Companhia Docas. Os ex-controladores concordaram em retirar da Justiça as açõs para anular a venda do banco em 1997 ao consórcio formado pelo grupo carioca Monteiro Aranha, pelo banco português Espírito Santo e pelo francês Credit Agrícole.
Cypriano reiteirou o interesse do banco na privatização do Banespa, mas descartou a possibilidade de o governo realizar o leilão neste mês. ‘‘Acho que deve ser lá para outubro ou novembro’’, disse.

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