União pode assumir Banespa nesta semana
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segunda-feira, 24 de novembro de 1997
Soraya de Alencar Agência Estado 
O Banespa poderá ser transformado em um banco federal ainda nesta semana. Este é um dos efeitos da aprovação pelo Senado, na última quinta-feira, do acordo para o refinanciamento da dívida do Estado de São Paulo, que prevê a transferência do controle do Banespa do Tesouro paulista para a União.
Fontes do governo admitem que o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, poderão assinar nos próximos dias o contrato de venda de, no mínimo, 51% das ações do Banespa para o Tesouro Nacional. São Paulo detém 66% das ações e pode optar por vender toda sua participação, informa uma fonte do Ministério da Fazenda.
A assinatura do contrato seria o primeiro passo no processo de privatização do Banespa. No cronograma montado pelo presidente do Banco Central, Gustavo Franco, para a venda dos bancos estaduais, o Banespa é o segundo na relação de privatizações para o primeiro semestre de 1998.
Antes, Franco prevê que será possível vender o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge). No dia 4 de dezembro o governo espera vender em leilão o Meridional. Mas o processo de venda do Banespa só poderá ser iniciado após a publicação da resolução do Senado aprovando o acordo. Assessores do BC acreditam que a publicação aconteça hoje (24).
Balanços Para a próxima semana, está prevista a publicação de quatro balanços do Banespa - os resultados do banco em 1994, 1995, 1996 e no primeiro semestre deste ano. Em todos os balanços, constará um patrimônio líquido positivo, uma indicação de que o banco é bom e limpo.
Isso será possível porque, a partir da aprovação do acordo, o Estado de São Paulo pode pagar a dívida superior a R$ 20 bilhões que tem com o Banespa. Foi por causa do atraso nesses créditos que o banco sofreu intervenção em 94. Os balanços terão que ter a assinatura de um auditor.
Praticamente ao mesmo tempo estará sendo cumprida outra etapa, segundo explicou um assessor de Franco. Será a publicação de um edital para a contratação de duas consultorias privadas. Uma representando o governo paulista e a outra o governo federal. Os consultores farão uma avaliação técnica da instituição e, ao final dos trabalhos, vão sugerir, cada um, um preço mínimo de venda do banco.
Diferença superior a 10% entre os dois preços obrigará a contratação de uma terceira equipe para nova avaliação. No caso de um intervalo inferior a 10%, a saída será tirar a média aritmética. Eles vão sugerir algo próximo ao patrimônio líquido do banco, diz uma fonte do BC, sem querer dar indicação de qualquer valor.


