Bruxelas - O Senado americano acabou de aprovar o projeto de lei aumentando em 70% as subvenções à agricultura, e um porta-voz da Comissão Européia (braço executivo da União Européia) declarou ontem que a Europa poderá denunciar o texto na Organização Mundial de Comércio (OMC). Uma reviravolta na administração do Velho Continente que sempre recusou enfrentar Washington de frente neste assunto.
O projeto de lei aprovado pela Câmara e Senado dos Estados Unidos eleva a US$ 180 bilhões de dólares, a ser distribuído em 10 anos, o total das ajudas federais à agricultura, ou seja, US$ 73,5 bilhões a mais do programa precedente, o famoso Fair Act de 1996, que visava, ao contrário, liberalizar o mundo agrícola.
O presidente da Comissão, Romano Prodi, reforçou na semana passada, quando o projeto foi aprovado na Câmara, que a atitude americana é ‘‘um passo atrás em décadas, representando uma contradição flagrante’’ à posição assumida de redução de subvenções públicas na OMC, em Doha. Em contrapartida, Prodi afirmou que o ante-projeto de orçamento apresentado pela Comissão para 2003, apesar de dedicar 50% à agricultura, está abaixo das demandas globais da UE.
As reclamações européias em relação ao protecionismo americano sempre restringiram-se aos esperneios setoriais. Há dois anos os produtores europeus de trigo chegaram a publicar um estudo provando que o sistema de ajuda agrícola é ‘‘mais perverso do que o europeu’’.
Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), os Estados Unidos distribuem menos subvenções agrícolas do que europeus ou japoneses, entretanto são mais generosos com os grandes produtores .
Ainda de acordo com a OCDE, o Japão subvenciona 65% de sua agricultura, sendo o mais protecionista do mundo. Atrás dele, aparece a UE, subvencionando 49% de sua agricultura e depois os Estados Unidos gastando 24% de seu orçamento em ajudas agrícolas

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