Brasília - O Brasil pode ganhar mercados para o açúcar nacional, em razão da decisão da União Européia de reduzir os subsídios à produção, avaliou ontem o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que comemorou a notícia. Segundo ele, o Brasil pode ofertar para terceiros países, fora da UE, cerca de 2 milhões de toneladas de açúcar já no próximo ano, mas a curto prazo, porém, não deve exportar mais para os europeus. Pela proposta européia, a produção subsidiada cairá de 17,4 milhões de toneladas para 14,6 milhões de toneladas. Desta diferença de 3 milhões de toneladas, só 2 milhões de toneladas são para exportação.
''O que a União Européia vai fazer é reduzir a parcela de açúcar que ela exporta. Sua demanda interna continuará sendo abastecida pela sua produção'', afirmou Rodrigues, na abertura da reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Açúcar e do Álcool, cujo um dos principais assuntos é a perspectiva de produção de açúcar e álcool na Região Centro-Sul na safra 2004/05. ''A tendência é que o Brasil ganhe os mercados dos terceiros países.'' A mudança na política européia, segundo ele, merece ser comemorada.
''Os subsídios inibem o acesso do Brasil ao mercado açucareiro de vários países'', disse. Ele informou que a União Européia produz cerca de 20 milhões de toneladas de açúcar por ano. Desse total, cerca de 17 milhões de toneladas são produzidas a partir de ''subsídios elevadíssimos'', informou o ministro.
A reforma do sistema de subsídio ao açúcar europeu, avaliou Rodrigues, pode estar relacionada ao painel que o Brasil, Austrália e Tailândia movem contra o bloco na Organização Mundial do Comércio (OMC). ''Esse é um sinal positivo, que talvez esteja relacionado com o painel. Se o Brasil sair vitorioso, seguramente a decisão a ser tomada pela União Européia será ainda mais radical'', afirmou Rodrigues. ''É um aceno positivo antecipando o resultado do painel.'' Em agosto de 2003, os três países questionaram os subsídios dados pela União Européia ao açúcar. Brasil, Austrália e Tailândia são os três maiores produtores mundiais e são prejudicados pelo apoio dado pelos europeus. A produção brasileira de açúcar é considerada uma das mais competitivas do mundo.
Rodrigues avaliou que a proposta da União Européia significa que haverá algum tipo de compensação com medidas de apoio aos países da África, Caribe e Pacífico, grupo chamado de ACP, para que eles possam produzir um pouco mais de açúcar. Ele refutou a informação de que a decisão da UE de modificar o programa de subsídios para o açúcar causou protestos entre os produtores de beterraba. ''Os países pobres que integram a ACP não têm condições de competir com o Brasil no mercado livre. Mas a União Européia pretende substituir os acordos de importação por acordos de assistência técnica e de organização para que eles possam reduzir seus custos e continuem exportando'', completou.

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