Brasília - O comissário europeu de Relações Exteriores, Christopher Patten, deu indicações mais fortes ontem de que a União Européia seguirá o exemplo dos Estados Unidos e encaminhará uma nova oferta sobre agricultura, com a finalidade de destravar as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Logo ao final de um encontro com o chanceler brasileiro, Celso Amorim, Patten afirmou que o dossiê agrícola será ''mais flexível e mais sensível'' e que, entre as alterações propostas, estarão a eliminação de subsídios às exportações e que distorcem o comércio e mudanças nas demandas sobre indicações geográficas.
''Vocês ficarão surpresos e encantados com o novo dossiê agrícola'', afirmou Patten, pouco antes de deslocar-se para o Palácio do Planalto, onde se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ''Nosso interesse é chegar a um bom acordo (na Rodada Doha) e não a um acordo qualquer.''
A manifestação de Patten reforçou o otimismo do ministro das Relações Exteriores sobre a possibilidade de desobstrução das negociações da Rodada Doha, paralisadas por conta dos impasses nas discussões sobre agricultura, investimentos, compras governamentais e política de concorrência registrados na reunião ministerial da OMC, em novembro, em Cancún (México).
O comissário europeu para o Comércio, Pascal Lamy, havia declarado em Bangladesh que espera a retomada das negociações para março ou abril. Na semana passada, Amorim já havia recebido o sinal favorável de Washington ao desbloqueio das negociações agrícolas da rodada.
Zoellick havia igualmente telefonado para o chanceler brasileiro para antecipar essa mudança de rumo. Em comunicado divulgado ontem, o G-20 grupo de cerca de 20 economias em desenvolvimento liderado pelo Brasil e que havia rejeitado a proposta euro-americana sobre agricultura na reunião de Cancún cumprimentou os Estados Unidos pela iniciativa. Também informou que está avaliando as propostas apresentadas por Zoellick. ''As coisas começam a voltar a engrenar. Evidentemente, isso vale tanto para o birregional (a negociação entre a União Européia e o Mercosul) quanto para o multilateral (a atual rodada OMC)'', afirmou Amorim.

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