Agência Folha
De São Paulo
A União Européia (UE) decidiu apostar todas as suas fichas para um crescimento econômico sólido na chamada ‘‘nova economia’’, ou seja, no uso intensivo da Internet e dos recursos multimídia. A cúpula européia encerrada ontem em Lisboa, originalmente destinada a discutir o emprego, fixou até metas precisas a esse respeito. A primeira delas é que todas as escolas dos 15 países da UE deverão estar conectadas à
Internet até o fim do ano que vem.
Além disso, até o fim de 2002, todos os professores necessários deverão ‘‘estar
capacitados a usar a Internet e os recursos multimídia’’. Por fim, a partir de 2003, haveria ‘‘acesso generalizado aos principais serviços públicos por meio da Internet, o que necessariamente pressupõe a universalização do uso da rede global de computadores.’’.
A decisão de apostar tudo na ‘‘nova economia’’ reflete o impacto que está
tendo na Europa o crescimento contínuo dos Estados Unidos, atribuído
exatamente a esse modelo calcado em tecnologia e uso intensivo dos meios eletrônicos de comunicação. Mas nem esse impacto foi suficiente para que os líderes europeus adotassem também um segundo e fundamental aspecto da economia norte-americana, que é a liberalização ampla.
Bem que o Reino Unido e a Espanha, principalmente, propuseram a
liberalização irrestrita dos mercados de energia e transportes
(principalmente o ferroviário), que ainda são basicamente estatais na
Europa. Mas a resistência francesa impediu que o comunicado final fizesse menção, como pretendiam Reino Unido e Espanha, a uma data para liberalizar ambos os setores.
Ficou apenas estabelecida a promessa de ‘‘criar e implementar plenamente um mercado interno em transporte e energia.’’ Nem mesmo em telecomunicações, setor no qual a liberalização e a privatização já avançaram muito na Europa toda, foi dada autorização para o que se chama de ‘‘último quilômetro em matéria de liberalização.’’. Ou seja, ainda falta romper o monopólio, agora privado, de empresas como a
British Telecom e a Telefónica de EspaÀa na telefonia fixa interna.
Na área social também houve pressões de governos como o britânico e o
espanhol para flexibilização tanto das regras trabalhistas como do sistema de pensões. Mas, de novo, a resistência francesa impediu definições,
adiadas para o segundo semestre deste ano, justamente o período em que a UE será presidida pela França.

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