União entre Bayer e Monsanto divide produtores
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quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Folhapress 
São Paulo - Os produtores não veem com bons olhos mais uma união de grandes empresas do setor de fornecimentos de insumos agropecuários. Ontem, a companhia de produtos químicos Bayer anunciou a compra da gigante de sementes Monsanto em operação avaliada em US$ 66 bilhões. Para uns, toda concentração é perigosa e traz novos custos. Para outros, isso faz parte do capitalismo, e é preciso avaliar a união com olhos no futuro. Pode ser até que, com maior poder de investimentos e novas pesquisas, dessa união surjam novas tecnologias que favoreçam o produtor.
"Não é boa essa concentração. Olho com receio a união dessas duas gigantes", diz Rui Prado, presidente da Famato (Federação da Agricultura do Estado de Mato Grosso). Na avaliação dele, essa concentração vai na linha do monopólio. Prado acrescenta ainda que "a história mostra que essas uniões sempre resultam em aumento de preços para o produtor e, por consequência, para o consumidor final."
O produtor alerta que a agricultura no mundo está ficando nas mãos de poucos grupos, e os insumos, monopolizados. Com relação ao Brasil, ele diz que o setor "vai ver o que se pode fazer na forma da lei" para reduzir os efeitos dessa concentração. O presidente da Famato lembra, inclusive, que a Monsanto tem um acordo em curso com os produtores sobre a cobrança de royalties. A Bayer vai ter de honrar esse compromisso, segundo ele.
Para Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e de Milho de Mato Grosso), criou-se uma gigante mundial, e essa concentração é ruim porque a oferta de insumos fica cada vez mais nas mãos de poucos. "No primeiro momento, há uma redução da competição que é preocupante. Mas, precisamos também olhar para a frente. Sendo uma das empresas que mais investem em pesquisa, a Bayer poderá avançar em germoplasma e biotecnologia, trazendo benefícios para o produtor", diz ele. "Precisamos primeiro olhar essa união e depois analisar o que ela vai representar para o setor", prossegue o presidente da Aprosoja, que já foi contatado pelas empresas envolvidas nesse processo.
Glauber Silveira, presidente da Câmara Setorial da Soja, diz que nenhuma fusão é positiva para o mercado, mas esse é o mundo capitalista. Uma coisa é certa, haverá uma redução de competitividade no setor. O ideal seria que a Monsanto, líder em biotecnologia, também avançasse no setor de químicos. E que a Bayer, líder em agroquímicos, investisse mais em biotecnologia. A permanência das duas no mercado aumentaria a concorrência no setor.
Negócio
A compra da gigante de sementes Monsanto pela Bayer, em operação avaliada em US$ 66 bilhões, ou US$ 128 por ação, representa um prêmio de 44% sobre o preço de fechamento da ação da Monsanto de 9 de maio, antes que a empresa de produtos químicos fizesse a primeira proposta pela gigante de sementes.
Segundo a Bayer, o negócio vai promover criação de valor significativa com sinergias anuais esperadas de aproximadamente US$ 1,5 bilhão após três anos, além de sinergias adicionais de soluções integradas em anos futuros. A oferta de US$ 128 por ação supera a proposta anterior da Bayer, de US$ 127,50 por papel, e é a maior transação do ano até agora.
O acordo criará uma empresa que dominará mais de um quarto do mercado mundial combinado para sementes e pesticidas em uma rápida consolidação da indústria de insumos agrícolas.


