União de mercados perde força
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quinta-feira, 12 de abril de 2001
Emerson CerviDe Curitiba 
O processo de concentração do setor de supermercados no Paraná perdeu a força. Essa é a opinião do presidente da Associação Paranaense dos Supermercados (Apras), Pedro Joanir Zonta, que também é proprietário e presidente da rede de supermercados Condor. Nos últimos três anos a maioria das grandes redes supermercadistas paranaenses foi vendida para grupos multinacionais ou nacionais de outros Estados. Agora deu uma acomodada, acho que deve continuar dessa forma pelo menos por enquanto, afirma.
Um dos maiores compradores foi o grupo português Sonae, que adquiriu o Mercadorama, Coletão e Mufato. A última venda no setor aconteceu no início do ano passado, quando o grupo Pão de Açúcar comprou o Parati. Toda concentração excessiva em grandes grupos é prejudicial aos consumidores e também aos fornecedores locais, que perdem seus clientes, opina Zonta.
Segundo ele, se houver uma retomada do processo de concentração, o consumidor paranaense pode ter que enfrentar uma exploração de altos preços por falta de concorrência.
Em Curitiba, a concentração de empresas no ramo supermercadista já contribui para a elevação no preço dos produtos. Uma pesquisa feita pelo Procon na cidade mostrou que na opinião de 90% dos entrevistados os preços ficaram mais altos depois que os supermercados foram vendidos para as grandes redes.
Os fornecedores também não ficaram satisfeitos com a transformação do perfil do mercado. Eles têm dificuldade de repassar a alta nos custos. Isso é péssimo para a indústria local de alimentos porque as compras desses grupos são centralizadas nas matrizes dos grupos, que não ficam no Paraná, lembra. Ano passado a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Supermercados, instalada na Assembléia Legislativa do Paraná, constatou diferenças no tratamento dado aos fornecedores locais em relação às grandes indústrias nacionais. Mas a comissão não conseguiu concluir os trabalhos como esperava porque não pôde ouvir os depoimentos dos presidentes do grupo Sonae e Carrefour.
Os maiores problemas foram encontrados entre os produtores de hortifrutis. Eles recebiam menos, em prazos maiores e tinham que arcar com os prejuízos dos encalhes de produtos. Por exemplo, enquanto as grandes redes de supermercados pagavam os fornecedores de bebidas em menos de 30 dias, os produtores locais demoravam até três meses para receber.
O Condor é uma das últimas redes estaduais de supermercados. Outras empresas locais de grande porte têm abrangência regional, como é o caso do Mufato na região Oeste, o Tozeto em Ponta Grossa, o Super Pão em Guarapuava e o Festval e Kusmã em Curitiba.


