Buenos Aires - Pela primeira vez, a cervejaria Quilmes reconheceu publicamente que sua união com a brasileira AmBev apresenta algumas complicações. Em uma apresentação realizada junto à SEC (Securities and Exchange Comission), dos Estados Unidos, a Quilmes disse que a ''aliança com AmBev poderia ser demorada, falhar ou, se for consumada, produzir outros resultados diferentes dos que se tentava''.
A ''aliança estratégica'' entre Quilmes, controlada pela família Bemberg, e a brasileira AmBeb foi anunciada em maio passado. Na verdade, o mercado considera uma fusão já que a AmBev tem a opção de ficar com toda a companhia a partir do ano que vem , conforme as etapas previstas pelo acordo entre ambas. Entretanto, a outra sócia dos Bemberg, a holandesa Heineken, dona de 15% das ações, fez um pedido de arbitragem junto à Câmara de Comércio Internacional, em Paris. Deste pedido, surgiu a obrigatoriedade da Quilmes de apresentar um relatório à SEC, sobre os riscos do negócio. As ações da Quilmes são cotadas em ambos os países.
A apresentação destaca que Quilmes e a BAC, a gestora das ações da família Bemberg, ''tentarão contestar vigorosamente as acusações de Heineken, mas não podemos prever o resultado do procedimento, nem quanto tempo durará'' e que a arbitragem ''pode resultar no fim da transação com a AmBev ou uma demora substancial em sua conclusão''. A Quilmes admite que ''é possível que Heineken tente usar o procedimento da arbitragem para renegociar os termos de seus contratos ou que peça aos Bemberg que comprem sua parte com um valor justo''.
O relatório alerta para a reação da AmBev em relação à um possível impedimento para a conclusão do negócio. ''Não podemos prever que ações pode tomar AmBev no assunto em caso de que o procedimento de arbitragem proíba ou postergue substancialmente a conclusão da transação'', explicam.

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