A União Nacional dos Estudantes (UNE) vai solicitar ao Ministério da Educação a anulação do provão em todo o País. ‘‘Depois das irregularidades ocorridas anteontem, com tanta desorganização, achamos que só resta essa medida ao ministro da Educação’’, disse o vice-presidente da UNE, Bento José Ferreira. Ele afirmou que o fato mais grave foi o vazamento do conteúdo das provas de engenharia civil e administração realizadas no Colégio Pedro II de São Cristóvão, zona norte do Rio.
‘‘Existe um fato concreto, o de que diretores da UNE estavam com as provas 15 minutos antes do horário previsto para o início do provão’’, declarou. ‘‘Independente da forma como conseguiram, isso significa falta de organização’’. Segundo Bento Ferreira, o MEC tinha que garantir o sigilo das provas até que elas fossem entregues aos estudantes. Pouco antes do provão no Pedro II de São Cristóvão, grupos de estudantes arrancaram pacotes com as provas dos fiscais e espalharam pelos corredores e salas do prédio que tinha ocorrido fraude.
A direção da Fundação Cesgranrio, responsável pela organização das provas no Rio, não quis dar qualquer informação sobre o provão, negando-se a responder, por exemplo, sobre o número de comparecimento de estudantes. ‘‘Só o Ministério da Educação está autorizado a falar sobre o assunto’’, declarou a secretária executiva da Cesgranrio, Nazareth Nobre. No diretório regional do ministério, no Rio, a ordem era transferir para a sede do ministério, em Brasília, a responsabilidade por qualquer informação.
O Estado de São Paulo apresentou baixos índices de ausência de formandos no primeiro provão. Na capital, apenas 9% dos alunos de administração faltaram. No interior, o percentual foi de 6%. No curso de engenharia civil, os percentuais de abstenção foram de 8% na capital e 7% no interior. Os percentuais de provas entregues em branco ainda estão sendo computados. A Fundação Carlos Chagas liberou apenas dados da capital paulista em relação aos exames do curso de direito. Dentre os 3.360 formandos da capital, apenas 35 apresentaram as provas em branco. Em 17 cidades do interior, somente quatro provas foram entregues nessas condições. As provas foram realizadas em 210 cidades, alcançando 55.629 alunos de 627 cursos. Somente na próxima semana o MEC terá uma avaliação do índice de provas consideradas inválidas em todo o País. (Leia sobre o assunto no caderno Folha Paraná)

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