Unctad - Lula pede plano para países pobres
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segunda-feira, 14 de junho de 2004
Leonencio Nossa<br> Agência Estado 
São Paulo - A uma platéia internacional com poucos chefes de Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que os países pobres precisam ter coragem, determinação política e ambição para mudar o mapa comercial e garantir, como as nações européias devastadas na Segunda Guerra, recursos externos para infra-estrutura e aumento de oferta de emprego.
Em discurso de abertura da 11 Assembléia da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), em São Paulo, ele avaliou que o crescimento econômico dos países pobres não ocorre de ''forma automática'' nem será resultado de geração espontânea das forças de mercado. ''Só alcançaremos nossos objetivos se tivermos vontade política de sermos ambiciosos.'' Lula defendeu a liberdade dos governos em repassar recursos públicos para investimentos e acordos de livre comércio entre países pobres, sem interferência de nações desenvolvidas. Ele voltou a pedir um programa de crédito e doação para os países pobres, como o Plano Marshall, que recuperou a Europa após a Segunda Guerra e garantiu a ''paz e o progresso''. Lula já havia defendido um novo Plano Marshall, em julho do ano passado, na Conferência da Governança Progressiva, em Londres.
Criado em 1947 pelo secretário de Estado norte-americano George Marshall (1880-1959), o plano beneficiou países como Inglaterra, Itália, França e Alemanha e possibilitou a hegemonia dos Estados Unidos no continente europeu. ''Ao final da Segunda Guerra, as economias beneficiadas pelo Plano Marshall recuperaram sua força rapidamente'', disse. ''O financiamento maciço trouxe de volta o emprego, a renda e a poupança.'' O presidente afirmou que os países pobres não estão conseguindo impedir ''constrangimentos externos'' apenas aumentando as exportações e o valor agregado de seus produtos. Ele observou que, nos últimos cinco anos, 55 países pobres cresceram menos de 2% ao ano, 23 regrediram sua riqueza e somente 16 tiveram expansão acima de 3%. Nos anos 60, a renda per capita das nações pobres era de US$ 212 e a dos países ricos passava de US$ 11.400, disse. ''Quarenta anos depois, a dos mais pobre ainda está em US$ 267, enquanto a renda per capita dos mais ricos quase triplicou, chegando a US$ 32,4 mil.''
Lula disse também que uma redução de 50% das tarifas comerciais garantiria um incremento de US$ 18 bilhões nas economias dos países pobres. O presidente ainda pediu esforço para revitalizar o acordo do Sistema Global de Preferências Comerciais (SGPT), elaborado nos anos 80, que poderia permitir que os países pobres eliminassem barreiras comerciais recíprocas, sem a necessidade de estender iguais concessões ao mundo desenvolvido.


