Umuarama terá laticínio comunitário
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domingo, 24 de março de 2002
Vânia Moreira Equipe da Folha 
Umuarama - A população de Umuarama consome diariamente cerca de 15 mil litros de leite in natura. A estimativa é do veterinário Luiz Alberto Zawadski, da Emater, que fez um estudo para a instalação de um laticínio comunitário no município. A usina de beneficiamento começa a funcionar no mês que vem e deve conter a venda de leite cru, além de aumentar o lucro dos produtores. Segundo Zawadski, a venda de leite diretamente das propriedades para o consumidor dobrou num período de cinco anos principalmente devido aos baixos preços pagos pelos laticínios.
As empresas pagam entre R$ 0,19 a R$ 0,20 centavos por litro, enquanto o custo de produção na região varia de R$ 0,19 a R$ 0,22 centavos. A venda direta garante ao produtor uma margem de lucro de pelo menos 50%. Para os consumidores também é um bom negócio: pagam de R$ 0,20 a R$ 0,30 centavos menos que no supermercado, ganham prazo e recebem o produto na porta. O problema é o risco que o consumo de leite cru representa para a saúde. Aproximadamente 70% do que é vendido nas ruas apresenta algum tipo de contaminação.
Segundo Zawadski, o laticínio comunitário vai pagar aos produtores no mínimo R$ 0,35 centavos por litro na plataforma. Para o consumidor, o leite pasteurizado e embalado será fixado em R$ 0,65 centavos o leite. Quem produz e revende terá um lucro médio de 100%. O laticínio reunirá 63 produtores e vendedores, responsáveis pela comercialização diária de 8 mil litros. Os que não aderiram ao projeto terão de se associar ou parar com a atividade, porque o serviço de vigilância municipal começará a apreender o leite clandestino, alerta Zawadski.
O veterinário cadastrou 200 pequenas propriedades que produzem entre 100 a 200 litros de leite por dia, a maior parte vendida nas ruas, as quais deverão ser integradas ao projeto do laticínio comunitário, que terá capacidade para pasteurizar até 15 mil litros dia. A Emater começa agora um trabalho nas propriedades para melhorar a sanidade dos animais e a higiene no processo de coleta e transporte do leite.
Numa segunda etapa, a usina poderá ser ampliada para industrializar o leite e agregar mais renda ao produto. O veterinário da Emater diz que a idéia é fabricar iogurte, queijos e achocolatados, criando uma cesta de produtos para entrega aos clientes em casa. Zawadski prevê que serão necessários dois anos para colocar todo o projeto em prática.


