Umuarama estuda implantar pólo regional de couro
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quinta-feira, 18 de setembro de 2003
Vânia Moreira<br>Equipe da Folha 
Umuarama A Associação Comercial e Industrial de Umuarama (ACIU) quer incentivar a industrialização do couro produzido na região. Para o presidente da entidade, Carlos Alberto Pimentel Gonçalves, é inaceitável que o maior produtor de gado de corte do Paraná não industrialize um dos principais subprodutos da atividade. ''Estamos deixando de agregar renda e gerar empregos'' observa. A pedido da ACIU, o Centro Tecnológico do Couro, Calçados e Afins (CTCC), de Novo Hamburgo (RS) está fazendo um projeto de viabilidade para criação de um pólo do couro na região.
A região de Umuarama tem o maior rebanho bovino paranaense, estimado em 1,3 milhão de cabeças. Segundo dados do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado do Paraná (sindicarne), os frigoríficos da região abateram, em 2002, cerca de 200 mil cabeças, frente aos 833,6 mil abates no Estado. O cálculo inclui apenas os processos inspecionados pelo serviço estadual. Apenas uma pequena parte de todo o couro produzido é processado nos dois curtumes da região. Os frigoríficos revendem a maior parte para indústrias de outras regiões.
Gonçalves sustenta que a industrialização do couro poderia acrescentar na economia regional algo em torno de US$ 5 milhões por ano. ''Não temos pesquisa sobre o quanto deixamos de agregar de renda, mas nos baseamos num estudo feito em Presidente Prudente (SP), onde um pólo de industralização do couro geraria por ano riquezas de US$ 12,6 milhões'', diz o empresário. A região de Presidente Prudente (SP) vive a mesma situação de Umuarama. Tem o maior rebanho bovino de São Paulo e não industrializa o couro que produz.
Segundo Gonçalves, o centro tecnológico de Novo Hamburgo apontará os processos de transformação do couro que podem ser adotados em Umuarama visando a produção de matéria-prima para a indústria gaúcha. O projeto deverá ser entregue até o final de outubro. O empresário disse que a ACIU se encarregará de buscar empreendedores com conhecimento e tecnologia para investir na industrialização. Em outra frente, a entidade já começou uma campanha para ensinar os pecuaristas a cuidar do couro dos animais desde o nascimento, prevenindo ferimentos, marcações e vacinas em local inadequado que danificam e desvalorizam o couro. Atualmente, os pecuaristas não se preocupam. A indústria calcula que a má qualidade do couro brasileiro gera um prejuízo potencial de US$ 1 milhão por ano.


