A prefeitura de Umuarama comprou - por menos de 10% do valor real - o secador de casulos da Cooperseda, o extinto pool de cooperativas que tentou implantar no Paraná um gigantesco complexo industrial de seda mas acabou afundando no início do projeto. O secador, cuja construção custou R$ 1,6 milhão à Cooperseda, foi comprado pela bagatela de R$ 142 mil. A prefeitura ainda terá 5 anos para pagar. O prefeito Fernando Scanavaca (PPB) anunciou que o secador será repassado à multinacional Kanebo que comprometeu-se a construir uma indústria de fios em Umuarama daqui há dois anos, se houver oferta suficiente de matéria-prima.
Segundo Scanavaca, em setembro a Kanebo começa a usar o secador de casulos, construído em 92 e que até hoje só funcionou durante dois meses. A expectativa é secar 800 toneladas de casulos da safra 97/98. ‘‘Se daqui há dois anos atingirmos uma oferta de 1.600 toneladas de casulo por safra, a Kanebo constrói a indústria de fios’’, disse Scanavaca.
Scanavaca também espera que os municípios da região iniciem programas de apoio à criação do bicho-da-seda. Ele acredita que não será difícil obter novos produtores, porque o mercado internacional de seda está em recuperação e a Kanebo é uma empresa sólida, tradicional compradora de parte da produção regional. Com aproximadamente 2 mil hectares de amora, a região terá que dobrar a área para conseguir a indústria. Isto vai gerar emprego e renda para cerca de mil famílias’’, observou o prefeito de Umuarama.
Cocamar e Cotriguaçu, as duas cooperativas que restaram do ‘‘pool‘‘de ll organizações que compunham a Cooperseda, alegaram que o projeto parou na época porque algumas cooperativas faliram, ao mesmo tempo que os preços da seda no mercado internacional despencaram, desestimulando os produtores. A Cooperseda foi lançada em setembro de 90, chegou a construir e colocar em funcionamento cerca de 10% do projeto, mas parou tudo dois anos depois para desespero de vários municípios que doaram perto de 200 alqueires a sem a cláusula de reversão da doação em caso de não-cumprimento do contrato.
Umuarama e Xambrê foram os mais prejudicados. Umuarama doou três terrenos, num total de 90 alqueires. O secador, num terreno de 10 alqueires do parque industrial pertencia à Cotriguaçú. A compra e repasse das instalações para a Kanebo foi a forma encontrada por Scanavaca de reaver o patrimônio do município e aproveitar o investimento feito. Para fechar o negócio, a Prefeitura se comprometeu a não tentar reaver na Justiça os outros 80 alqueires doados.

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