Umidade afeta qualidade de café estocado
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
A alta umidade relativa do ar das últimas semanas prejudicou a qualidade do café armazenado em tulhas e em outros ambientes não climatizados. ''Quem tem café guardado deve checar as condições do produto'', alertou o corretor Marcos Bacceti, de Londrina. Em sua corretora, 60% das amostras recebidas nos últimos dias apresentam cor esbranquiçada decorrente do excesso de umidade.
O problema acaba depreciando o preço do grão que, segundo Bacceti, desvaloriza até R$ 30,00 por saca. ''Quem compra embute o deságio porque vai ter muito trabalho para tirar os grãos brancos'', explicou, acrescentando que a umidade interfere na colaração, mas não influi na qualidade da bebida. Muitas vezes, porém, a mercadoria fica inadequada para exportação e acaba sendo comercializada apenas no mercado interno.
Quando a umidade ataca o café em coco, é possível voltar o produto para o terreiro, secar novamente e amenizar o prejuízo. A dificuldade maior é quando o produtor beneficia o café umido ou armazena a mercadoria beneficiada em condições inadequadas. ''Nesse caso não tem jeito de evitar perdas'', disse.
O engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, do Departamento Nacional do Café (Decaf) do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), esclareceu que as condições ideais do grão se mantêm quando a umidade relativa não ultrapassa 13%. ''Acima disso, começa a perder coloração'', comentou.
De acordo com o técnico, o armazém adequado tem que ser ventilado, sem telhas soltas e construído adequadamente para receber o café. O manejo também exige cuidado: quando a umidade do ar está saturada, o produtor não deve abrir o local para ventilar. ''É melhor deixar para os dias ensolarados'', informou, lembrando que os armazéns do governo não enfrentam o problema, pois estão com umidade em torno de 9,5%.
O cafeicultor Wilson Baggio, de Cornélio Procópio, não acredita que haja café com excesso de umidade no mercado. ''Quando o produtor guarda em coco, a casca protege'', argumentou. Segundo ele, a perda da cor após longos período de armazenagem é um processo natural. ''Desmerece no preço, mas não significa que o produto seja imprestável'', disse.
Mercado Ontem, em Nova York, o café fechou com 160 pontos negativos. A queda é explicada pela especulação dos fundos de pensão, que realizaram lucros. No mercado interno, a cotação do café fino não chegou a R$ 150,00. A desvalorização é de R$ 30,00 por saca desde o dia 23 de janeiro deste ano, quando o produto foi cotado a R$ 180,00.


