Uma saída para a crise - Gilclér Regina
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de março de 1999
Gilclér Regina 
Quando se fala tanto em crise, precisamos buscar com muita inspiração e criatividade, algum modelo que sirva de antídoto para a crise, e de lição para nós, que devemos entender que o entusiasmo é a segunda coisa que mais contagia no mundo. A primeira é a falta dele.
A história que se segue, tem tudo a ver com a crise e o que você pode aprender com ela. A pergunta é a seguinte: Você tem uma vaca? Conta a história que um mestre com grande sabedoria passeava por uma floresta com seu fiel discípulo quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer uma breve visita. Durante o percurso, ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos todos nós, também com as pessoas que mal conhecemos, mesmo as mais humildes.
Chegando ao sítio, constatou a enorme pobreza do lugar, sem calçamento, casa de madeira, os moradores, um casal e três filhos, vestidos com roupas rasgadas e sujas. Então se aproximou do senhor, aparentemente o pai daquela família, e perguntou: Neste lugar não há sinais de pontos de comércio e de trabalho. Como o senhor e a sua família sobrevivem aqui?
E o senhor calmamente respondeu: Meu amigo, nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros ou alimentos e a outra parte nós produzimos queijo, coalhada, para o nosso consumo e assim vamos sobrevivendo. O sábio agradeceu a informação, contemplou o lugar por uns momentos, depois se despediu e foi embora.
No meio do caminho, voltou-se para o seu fiel discípulo e ordenou: Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali na frente e empurre-a, jogue-a lá em baixo. O jovem arregalou os olhos espantado e questionou o mestre sobre o fato de a vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família. Mas como percebeu o silêncio absoluto do seu mestre, foi cumprir a ordem. Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer. Aquela cena ficou marcada na memória daquele jovem durante alguns anos.
Um belo dia, ele resolveu largar tudo o que havia aprendido e voltar naquele mesmo lugar e contar tudo àquela família, pedir perdão e ajudá-los. Assim fez, e quando se aproximava do local, avistou um sítio muito bonito, com árvores floridas, todo murado, com carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou triste e desesperado, imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver. Apertou o passo e chegando lá, logo foi recebido por um caseiro muito simpático e perguntou sobre a família que ali morava há uns quatro anos, e o caseiro respondeu: Continuam morando aqui.
Espantado, ele entrou correndo na casa e viu que era mesmo a família que visitara antes, com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor, aquele mesmo dono da vaquinha: Como o senhor melhorou este sítio e está muito bem de vida? E o senhor, entusiasmado, respondeu:
Nós tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu. Daí em diante, tivemos que fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos, para sobreviver. Assim, alcançamos o sucesso que seus olhos vislumbram agora.
Todos nós temos uma vaquinha que nos dá alguma coisa básica para sobrevivência e uma convivência com a rotina, seja um empreguinho, uma aposentadoriazinha, uma rendinha de aluguel, uma mesadinha do marido, uma ajudinha da mãe e muitas vaquinhas mais. Descubra você qual é a sua vaquinha! Aproveite a proximidade deste final de século, das mudanças do novo milênio, para empurrar sua vaquinha morro abaixo, ou da ponte, ou do 13º andar ou mesmo do avião. É pela existência de milhares ou milhões de vaquinhas consolando cada brasileiro, que o Brasil, esta maravilha de País, de território, de potencial, de riqueza, de povo, acaba indo para o brejo! Dê o exemplo e elimine a sua vaquinha de uma só vez.
GILCLÉR REGINA é escritor e consultor de programas de motivação e qualidade
(e-mail: [email protected])


