Desde pequena, a cambeense Ivanete Thomaz sempre foi ligada à moda. Aos 12 anos, ela já confeccionava as roupas das suas bonecas e desenhava o que ela queria vestir. ''Cresci vendo a minha mãe costurando e meu avô trabalhando no celeiro. Foi ele, inclusive, que me ensinou a fazer trança em couro'', conta a empresária que há 26 anos dirige a Indústria de Artefatos em Couro - Selvaggio, em Londrina, que produz bolsas, cintos e carteiras para o público feminino.
Dos 17 aos 22 anos, ela trabalhou em uma fábrica de cintos e bolsas e só deixou o trabalho porque a empresa fechou. ''Não via nada no mercado que me atraísse, então, resolvi abrir o meu próprio negócio, com um sócio'', diz. Ivanete relata que naquela época não era nada fácil trabalhar com moda porque o acesso às informações era mínimo. ''Não dispúnhamos de internet e nem de fax. Além disso, não existiam cursos voltados para a área na região e as revistas especializadas, que eram poucas, só chegavam a nós na estação seguinte'', comenta. Comprar matéria-prima também não era tarefa fácil: ''Era necessário ir a São Paulo semanalmente e ao Rio de Janeiro uma vez ao mês'', lembra Ivanete.
A fábrica, que surgiu em julho de 1986, nasceu no quarto de empregada na Rua da Lapa, onde Ivanete morava. No começo, ela fazia todas as etapas sozinha e comercializava apenas cintos. O primeiro grande passo da empresária foi dado no ano seguinte à inauguração, quando ela mandou um mostruário para uma loja de departamentos, que aprovou o produto e fez um pedido de 2.208 unidades. ''Foi uma loucura porque a minha capacidade de produção era de apenas 150 ao mês'', conta. ''Mas vi a oportunidade à minha frente e resolvi abraçá-la; terceirizei serviço com outra empresa e contratei funcionários temporários'', completa. A empresária conseguiu cumprir o prazo exigido e com a renda, ampliou o seu negócio.
Há 11 anos a sociedade foi desfeita e, desde então, Ivanete é a única proprietária da Selvaggio. A produção mensal da indústria é de 250 bolsas e 200 cintos. As bolsas representam 90% do total de vendas; os cintos ficam com 8% e a linha promocional com 2%. Atualmente, os artefatos são comercializados no Paraná. Hoje, a empresa conta com cinco funcionários diretos e três indiretos.
Refazendo planos
Durante cinco anos, de 2002 a 2007, os produtos da Selvaggio foram exportados para Nova Zelândia e Inglaterra. Mensalmente, a indústria enviava 100 bolsas e 300 cintos para os dois países. ''Não foi necessário fazer nenhuma alteração no produto, a não ser anexar a etiqueta 'made in Brazil''', comenta, orgulhosa. Por questões cambiais, a indústria deixou de exportar seus artefatos. ''Preferi parar porque, comercialmente, não teria mais lucro'', justifica, acrescentando que a decisão não trouxe problemas para a empresa porque o mercado brasileiro reabsorveu a demanda.
A exemplo de outras indústrias do setor, por um período, a invasão da bolsa chinesa na última década enfraqueceu a Selvaggio, que assistiu a muitas empresas morrerem devido aos preços bem acessíveis dos produtos vindos daquele país. Além disso, houve um boom de fabricantes de bolsas em Londrina. Para vencer a concorrência, Ivanete apostou na reformulação da marca e, para tanto, contratou um designer conceituado. ''Foi um divisor na minha empresa. Entendi que precisava fazer bolsas para a mulher que queria algo de muita qualidade. Com este pensamento, agreguei valor aos meus produtos e percebi que a mudança foi bem aceita'', reitera.
Os preços finais das bolsas variam entre R$ 400 e R$ 600 e os cintos vão de R$ 80 a R$ 150. A Selvaggio vende apenas para o atacado e suas coleções, desenhadas pela proprietária, são lançadas semestralmente, em julho e janeiro.
Questionada sobre a fórmula para manter a empresa por 25 anos, a empresária diz que o segredo é fazer um produto irresistível. ''Não foi fácil chegar até aqui, demandou muita luta, mas sempre procurei confeccionar artefatos funcionais e milimetricamente perfeitos. Meu foco, desde o começo, foi a qualidade'', afirma.

Imagem ilustrativa da imagem Uma questão de qualidade
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