O Paraná já foi um dos principais produtores de algodão do País. Mas, nos últimos anos, a cotonicultura foi perdendo área devido às pragas e problemas com mão de obra. Neste ano, as plantações não devem superar nove mil hectares, uma área muito inferior se comparado aos mais de 700 mil hectares plantados no início da década de 1990.
Apesar dessa redução, a cultura ainda resiste graças ao trabalho de alguns produtores e cooperativas, que ainda acreditam na viabilidade econômica do algodão e investem em novas tecnologias para fazer com que o Paraná volte a fazer parte do cenário algodoeiro brasileiro, hoje dominado pela região do cerrado.
Para mostrar essa nova fase do algodão no Estado, a Associação dos Cotonicultores do Paraná (Acopar) e a cooperativa Coceal, de Ibiporã, organizaram um tour por algumas regiões produtoras no norte do Estado. A viagem técnica contou com a participação dos fomentadores do projeto da Coceal, como agentes financeiros, parceiros comerciais, técnicos de cooperativas, Emater e Iapar. Além de representantes nacionais de entidades ligadas ao algodão.
A comitiva visitou quatro propriedades que fazem parte do projeto de integração da cooperativa, que pretende desenvolver a cotonicultura no Estado. ''A Coceal se responsabiliza por toda a estrutura de assistência técnica, manejo e colheita mecanizada, enquanto o produtor participa com a terra e o maquinário. Quanto maior a produção, maior será o lucro do produtor'', explica o presidente da Coceal, Almir Montecelli. Neste ano, o projeto engloba mais de 3,8 mil hectares e a produtividade média das áreas deve ser de 220 arroba/hectare. Serão alugadas 13 máquinas para realizar a colheita.
As principais novidades vistas no tour foram o algodão irrigado com pivô central e uma variedade transgênica. ''Fizemos um intercâmbio com a Holambra II, na região paulista de Paranapanema, e pudemos conferir o uso dos pivôs centrais'', comenta o presidente da Coceal.
Na área visitada em Florestópolis, um pivô central cobre uma área de 72 hectares, com alto potencial produtivo. ''Essa é a primeira vez que planto algodão. Resolvi aderir ao projeto porque o algodão é uma boa opção para rotação de culturas e, como a área é irrigada, a produtividade vai ser boa'', diz o produtor Mário Reis. ''Pelos cálculos iniciais, a produtividade será de cerca de 270 arrobas por hectare'', completa.
Outra área que chamou a atenção dos participantes da viagem foi uma plantação de algodão transgênico, em Astorga. A variedade utilizada foi a Nuopal BT, que tem como principais características a resistência às lagartas da maçã, a rosa e a curuquerê.
O diretor da Cooperativa Integrada, Sérgio Otaguiri, participou da caravana e enfatizou a importância de manter viva a cotonicultura no Paraná. ''O algodão já foi muito importante e devemos preservar essa cultura como uma importante opção de diversificação, principalmente no sistema de rotação de culturas'', lembra Otaguiri.

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