Uma 'ilha' no centro do Estado
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Cecília França<br> Reportagem Local 
O município de Pitanga (230 km de Londrina) convive com o medo do desabastecimento desde o primeiro dia da greve dos caminhoneiros, que bloqueou a PR-466, principal rodovia de acesso à cidade, durante toda a semana. O prefeito, Altair José Zampier, decretou estado de emergência e chegou a viajar para Curitiba em busca de apoio do Governo do Estado.
Na cidade de 34,8 mil moradores esgotaram-se os estoques de combustível, gás de cozinha e alguns alimentos. Sem ter como abastecer os veículos da prefeitura, quatro mil alunos da rede municipal tiveram as aulas suspensas. Ontem seria o último dia de transporte público gratuito na cidade e a coleta de lixo pararia hoje.
"A situação é muito grave, porque só tínhamos uma ambulância com combustível", disse o prefeito enquanto retornava de Curitiba, após deixar ofício no Palácio do Governo solicitando assistência. Ele ressalta o impacto negativo da paralisação na economia de Pitanga, uma vez que não há combustível para os produtores rurais iniciarem a colheita da soja e os 1,8 mil produtores de leite perdem 200 mil litros por dia.
Na quinta-feira, os produtores realizaram um protesto despejando milhares de litros de leite na avenida central da cidade. Diante da situação crítica, por volta do meio-dia de ontem, a Polícia Rodoviária Estadual procedeu o desbloqueio da PR-466, de forma pacífica, liberando o acesso dos caminhões.
Um dos postos de combustíveis recebeu 30 mil litros de gasolina, álcool e diesel. O gerente, Valdinei de Lima Berton, conta que deu preferência por abastecer os veículos da prefeitura e limitou o restante a R$ 20 por morador. "Ficamos desde terça-feira, 9 horas da manhã, sem combustível, e com racionamento vai durar só até sábado a tarde", estima.
Mesmo com a abertura da rodovia, Berton diz que a distribuidora, situada em Guarapuava, não enviará mais carga até a próxima semana, uma vez que também não recebeu álcool anidro. Fábio Pittner, dono de uma revenda de gás, também recebeu uma nova carga ontem, após ficar dois dias sem o produto. Para ele, o desespero da população gerou o desabastecimento.
"Eu vendo em média 50 botijões por dia e vendi 200 na terça-feira; hoje (ontem), chegaram 295 e já vendi 180", revela. Edson Padilha, proprietário de um supermercado, diz que há falta de todos os tipos de verdura e, principalmente, leite longa vida. Padilha afirma que, no início da semana, tinha estoque para sete dias, mas vendeu apenas na terça-feira a quantidade de leite equivalente a 10 dias.
"O pessoal está estocando com medo de acabar", afirma. No final da tarde de ontem, a Polícia Rodoviária informou que a PR-466 estava totalmente liberada no quilômetro 179, acesso a Pitanga.


