Bastos Bastos, a ''capital do ovo'', entrou em estado de alerta por causa da gripe aviária. Na cidade paulista, que tem quase mil galinhas por habitante e é a maior produtora de ovos do Brasil, todos os moradores que criam aves soltas nos quintais estão sendo obrigados a se desfazer dos plantéis.
A Comissão Municipal de Prevenção da Influenza Aviária, formada por representantes da Prefeitura, da Secretaria Estadual de Agricultura e dos granjeiros, usou um sistema de geoprocessamento via satélite para rastrear as 216 criações caseiras no município, onde vivem 15.517 aves.
A criação do desempregado Renato do Sacramento Filho, de 40 anos não escapou. Sacramento cria 180 patos, marrecos, perus, gansos e galinhas caipiras num quintal cercado com tela, na periferia da cidade. ''Baixei o preço para acabar logo com tudo, pois não quero encrenca.'' O pato, antes vendido a R$ 10,00 agora sai a R$ 6,00 e a galinha caipira baixou de R$ 7,00 para R$ 4,00. Sem emprego há seis anos, Sacramento está perdendo seu ganha-pão em nome da proteção das 120 granjas de poedeiras que sustentam a economia da cidade.
A comissão adotou antecipadamente uma portaria ministerial que baixou medidas de prevenção contra gripe. O objetivo é evitar que essas criações tenham contato com aves migratórias, possíveis transmissoras do vírus.
Os donos de aves de quintal na área urbana estão sendo intimados a dar um fim nelas. Os da zona rural podem optar pela eliminação ou pelo aprisionamento das aves. ''Somos o primeiro município do Brasil a aplicar a portaria'', diz o diretor da Associação Paulista de Avicultura (APA), Carlos Ikeda.
Além disso, o acesso ao interior das granjas está restrito a veterinários e tratadores. Nenhum veículo entra sem passar por um pulverizador gigante com desinfetantes. ''Se a gripe chegar aqui, a cidade fecha'', diz Agnaldo Rodrigues, gerente de um supermercado.

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