É chegada a hora de enfrentar o supermercado poucos dias antes da esperada ceia de Natal. Momento de reunir a família, confraternizar em torno de muitas delícias culinárias e perceber – mais uma vez – que muitos dos produtos utilizados nesta época de festas estão bem mais caros que no mesmo período do ano passado.
De acordo com levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os itens que tradicionalmente fazem parte da ceia natalina subiram em média 5,44% em relação a 2013. Quem puxa o aumento são as frutas cristalizadas, com alta de 16,46% no período. Na sequência, estão a avelã (13,27%), a castanha do Pará (11,82%), as nozes (8,99%), o bacalhau (4,77%) e o panetone (2,75%). Por outro lado, deram alívio a cesta de Natal o frango especial (-10,06%) e o tender (-6,91%).
Quando a pesquisa avalia uma versão mais estendida da lista – com produtos como bebidas, legumes e outras carnes utilizadas pelos consumidores brasileiros nesta época do ano –, a situação é ainda mais crítica. O acumulado atinge elevação de 8,38%, puxados por itens como a cebola (43,76%), lombo (13,06%), pernil (18,26%), azeitona (14,42%) e vinho (11,89%) (veja o gráfico). Só como análise comparativa, no acumulado em 12 meses até novembro de 2014, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), também apurada pela FGV, avançou 6,81%.
Nos supermercados visitados pela FOLHA ontem, os consumidores londrinenses que já estavam na correria atrás dos produtos da ceia natalina concordaram com as altas apontadas pela pesquisa da FGV. Boa parte deles reclamou, principalmente, dos preços da carne. O diretor de obras Cleiton Aparecido Sena estava com sua esposa, a microempresária Ana Maria Schultz, comprando e organizando uma ceia para 14 pessoas. "Os preços estão bem salgados. Carnes em geral, bebidas, tudo. O peru, por exemplo, percebemos uma alta superior a 50%. Acredito que vou gastar em torno de R$ 500, pelo menos 25% a mais do que no ano passado", relatou o casal. Para se esquivar do aumento, a tática, segundo eles, é trocar a marca dos produtos e dividir os custos com a família. "No ano passado, conseguimos bancar uma parte maior dos gastos (da ceia). Neste ano, os custos serão mais divididos", disseram.
Mesma opinião do comerciante Augusto Diamante, que estava com toda a família realizando as compras. "Os alimentos, de forma geral, vêm subindo nos últimos meses e chegaram no Natal com preços bem salgados. Vou passar a ceia na casa do meu irmão, com um total de 25 pessoas, mas estou tentando economizar, não é porque estamos em festas que vamos sair gastando sem controle", relatou Diamante.
Com o carrinho cheio de panetones, o bancário aposentado Moacir Bittencourt e a esposa dele, a assistente social Terezinha Bittencourt, saíram de Bela Vista do Paraíso (Norte) para fazer compras para a ceia em Londrina. "Peru, chester, tender...todos estão mais caros, assim como as frutas típicas dessa época. Estamos realizando pesquisa em diversos supermercados e tentando gastar o mesmo que gastamos no ano passado", complementou o casal.
Já a funcionária pública Kátia Cercasin tem a mesma opinião do casal de Bela Vista: é preciso pesquisar. "Estou no primeiro supermercado e percebi que está bem mais caro do que no ano passado. O que notei estar com preços elevados são as frutas, já o tender e o frango percebi uma queda nos valores. De qualquer forma, vou tentar economizar o máximo que for possível", salientou ela.

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