Um terço dos brasileiros não poupa para realizar sonhos
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domingo, 28 de dezembro de 2014
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
Uma boa parcela da população brasileira não tem o hábito de guardar dinheiro para alguma emergência ou mesmo para realizar planos a curto, médio e longo prazos. Um levantamento realizado pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pelo portal "Meu Bolso Feliz" nas 27 capitais brasileiras com 1.245 entrevistados mostrou que um terço dos brasileiros não conta com uma reserva financeira para realizar sonhos no futuro como a compra de uma casa, de um carro ou uma viagem.
"As pessoas se acostumaram muito com crédito e não com poupança. O imediatismo é tamanho que é complicado falar em futuro para a juventude", disse o educador financeiro do portal "Meu Bolso Feliz", José Vignoli. Para ele, os principais motivos para as pessoas não terem poupança no Brasil são o excesso de incentivo para tomar crédito, o imediatismo da sociedade atual e as pressões criadas pelas propagandas e pelas redes sociais. "Falta cultura de poupança e educação financeira", disse.
Segundo Vignoli, não importa quanto a pessoa consegue guardar por mês, pode ser R$ 50, mas o importante é ter a habitualidade. A sugestão do educador financeiro para o assalariado é que pague todas as contas quando recebe o salário e inclua nisso tudo quanto se propõe a poupar. "Quanto mais conseguir poupar e viver com equilíbrio melhor", destacou. "Nem que seja R$ 5,00 por mês é importante", disse. Ele lembrou ainda que é preciso anotar quanto a pessoa ganha e todos os gastos, além de pensar se precisa realmente de um produto antes de adquiri-lo.
Para a diretora do setor de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Paraná e responsável pelo Programa Trocando em Miúdos, da TV da universidade, que trata de finanças pessoais, Ana Paula Cherobim, não ter poupança é uma questão cultural do brasileiro. Além disso, o País passou por um longo período de inflação que não incentivava ninguém a poupar.
Ela também destacou que o crescimento econômico ocorreu com a facilitação ao crédito, que levou ao endividamento das famílias, que também é um desestímulo à poupança. "O conforto material, muitas vezes, cria demandas que a renda não acompanha", alertou. Segundo Ana Paula, geralmente, as pessoas que têm poupança são as que aprenderam em casa. Ela disse que quem não teve essa educação em casa acaba aprendendo em situações limítrofes como em casos de desemprego ou quando precisa administrar uma dívida grande.
A primeira dica dela é guardar o que for possível quando a pessoa receber o salário. "Quem tem rendimento variável como comissão, negócio próprio ou apenas uma pessoa que trabalha na família tem que guardar mais dinheiro. Isso funciona como uma espécie de plano B", recomendou. Entre as boas formas para guardar dinheiro está a compra de um imóvel, apesar de não ser um investimento com liquidez. Rendimentos líquidos seriam a poupança, os fundos de renda fixa tradicionais e as aplicações no Tesouro Direto. "Ou a pessoa ganha mais para poupar ou gasta menos. Não tem mágica", destacou.


