Um soco histórico no mercado
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sexta-feira, 24 de junho de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 
Curitiba A histórica decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, chamada de "Brexit", foi recebida como uma pancada pelas principais bolsas mundiais, incluindo a Bm&F Bovespa, que terminou o dia com queda de 2,82%, após bater patamares mais baixos durante a sexta-feira. Nem as commodities agrícolas resistiram à decisão que o mercado apostava ser improvável, mesmo com a incerteza que marcou todo o processo do plebiscito.
"Como a formação de preço do mercado de commodities é muito mais financeira do que baseada na oferta e demanda, e vinha acumulando recordes históricos na soja, milho, café e algodão, o dia de hoje [ontem] realizou a pancada com essa forte queda, mas precisamos de uma semana para entender o cenário, já que o mercado está atônito", recomenda o analista de mercado da AgRural Commodities Agrícolas, Fernando Muraro Junior. "A sexta-feira foi um dia em que todo mundo passou olhando a tela, pois se abriu uma incógnita para o mercado e os fundos, que estavam muito comprados, reagiram mal, já que são avessos ao risco. Essa decisão do Reino Unido veio na contramão do que buscam os fundos, é uma grande pedra no caminho", classifica Muraro.
Alguns profissionais apostam que o impacto maior fique com o Reino Unido, principalmente por razões como o fato de 50% das exportações feitas pelos países que formam o Reino Unido serem para a União Europeia. "Escócia e Irlanda do Norte votaram maciçamente pela permanência do Reino Unido e, agora, podem querer sair do Reino Unido para evitar as consequências dessa decisão", cogita o coordenador do curso de Ensino à Distância (EAD) de Finanças Pessoais da Universidade Positivo (UP) e consultor de investimentos da INVA Capital, Raphael Cordeiro. "Tanto acreditamos nisso e que o caos não determina tendência, que recomendamos a compra de Ibovespa e de bolsas norte-americanas durante toda a sexta-feira. Só evitamos ações de bancos, que passam a enfrentar um grande dilema frente ao fato de Londres ser o centro financeiro da Europa, com várias instituições domiciliadas lá", revela Cordeiro.
Comprar ou não comprar?
De qualquer forma, pelas regras da União Europeia o processo de saída do Reino Unido não é imediato, envolve uma longa negociação de dois anos. "É por isso que tentar comprar moedas em função da forte desvalorização frente ao Real como a que ocorreu com a Libra, que teve a menor cotação em 31 anos, pode ser uma estratégia equivocada. Quem busca a Libra, por exemplo, visando um ganho rápido, tende a se frustrar, pois a moeda tem espaço para cair ainda mais até o fim desse processo", explica Cordeiro. Se a compra for motivada para realizar uma viagem mais econômica para Londres, também é provável que a aparente "vantagem financeira" fique aquém das expectativas. "Londres está entre os lugares mais caros do mundo. Mesmo com a desvalorização da Libra em 10%, o custo de vida lá são várias vezes o do brasileiro que já sente um menor poder de compra no próprio país", avalia.
Recessão
Além disso, o impacto do "Brexit" para o mercado de trabalho pode agravar a recessão no Brasil, caso os brasileiros que trabalham no Reino Unido precisem voltar. Segundo o economista Ricardo Amorim, que aposta na retomada de crescimento da economia brasileira, essa questão dos imigrantes que vivem no Reino Unido pode trazer "um risco real de uma nova recessão global". Para Amorim, "é cedo demais para saber se a saída do Reino Unido da União Europeia será apenas a queda de um dominó isolado, ou o primeiro de uma sequência de dominós cada vez maiores e mais conectados a outros dominós, com o potencial de impactar a vida de todos no planeta de forma significativa nos próximos anos".


