O reajuste do salário mímimo de R$ 151 para R$ 180 como defendem as centrais sindicais e parlamentares é avaliado como uma ação ainda tímida pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos. Para o Dieese, o governo e o Congresso Nacional teriam de criar uma política nacional para recuperação das perdas do salário mínimo. Desta maneira, os reajustes e aumento não ficariam atrelados à política e às decisões econômicas.
O economista do Dieese no Paraná, Cid Cordeiro, diz que a recuperação das perdas não é uma atitude que possa ser tomada de um dia para outro, mas que a médio prazo surtiria efeito positivo para os trabalhadores. ‘‘Ir para R$ 180 é um passo importante, mas o mais importante é garantir os passos seguintes’’, compara. Ele avalia que a discussão da renda mínima para os brasileiros tem um fundo social que não pode mais ser adiada.
O reajuste do salário mínimo fica sempre condicionado a pressões políticas feitas sobre o governo federal, que pretendia, agora, aplicar um reajuste de 5,57% ao mínimo, elevando o salário para R$ 159, segundo proposta encaminhada no Orçamento da União para 2001. A alegação é que não se pode aumentar muito o salário mínimo para não aumentar o déficit previdenciário. Para cada R$ 1,00 de aumento o governo gasta mais R$ 130 milhões na Previdência, segundo dados oficiais. ‘‘Temos que analisar que cada real de aumento representa muito para quem ganha pouco. São pelo menos 10 pães a mais’’, compara Cid Cordeiro.
(Carmem Murara)

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