O preço dos medicamentos pode subir até 12,5%. O índice foi autorizado ontem pelo governo federal. É a primeira vez, em dez anos, que o valor fica acima da inflação. O novo índice foi definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), composta por representantes de cinco ministérios. O percentual é calculado com base nos critérios que, junto com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), compõem a fórmula adotada pelo governo para fixar o reajuste máximo do preço dos remédios.
Ao todo, 19 mil produtos estão sujeitos ao reajuste. Segundo a indústria, o aumento, no entanto, não deve chegar imediatamente ao consumidor. Indústria e farmácias também podem optar por praticar um reajuste menor que o permitido, principalmente nos casos de produtos mais procurados pelos pacientes e fabricados por um maior número de empresas.
Em nota enviada à FOLHA, a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) afirma que, embora o governo tenha determinado um percentual de 12,5%, portanto acima da inflação, o acumulado dos últimos 10 anos continua abaixo do IPCA em quase 18 pontos percentuais. A inflação foi de 79,3% e o reajuste dos remédios, de 61,2%.
A entidade sustenta que a alta da energia elétrica e as variações do câmbio tiveram grande influência no índice deste ano. E que os descontos praticados pelo mercado devem influenciar o preço final do medicamento. O abatimento seria em média de 72% para os genéricos e 16% para medicamentos de referência.

SEM COMPETITIVIDADE
Dono da rede de farmácias Vale Verde, uma das duas paranaenses filiadas à Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), o empresário londrinense Rubem Augusto acredita que o câmbio foi o principal responsável pelo aumento. "A maior parte dos sais utilizados pelos laboratórios vem da Índia ou da China." Com a disparada do dólar, afirma ele, o custo da produção aumentou muito.
Augusto ressalta que a indústria farmacêutica brasileira perdeu competitividade nos últimos tempos e a maioria dos remédios fabricados no País são básicos. Os mais sofisticados são importados ou apenas embalados no Brasil. Um reajuste abaixo do que foi determinado, na opinião do empresário, em última instância poderia provocar o desabastecimento de remédios importados.
Em sua rede, Augusto não pretende aplicar o aumento já. "Fizemos compras maiores nos últimos dias. Estamos com um bom estoque e, pelo menos nos próximos dez dias, os preços serão os mesmos", declara. Responsável por cerca de 600 empregos, o empresário diz que o custo do negócio sobe acima da inflação e, se a receita não acompanhar esse crescimento, a sustentabilidade da rede fica comprometida. Devido à queda na renda do brasileiro, o empresário acredita que, após as farmácias aplicaram o reajuste haverá uma corrida por medicamentos mais baratos. "Mais gente vai migrar para os genéricos e similares", aposta. (Com Folhapress)

Imagem ilustrativa da imagem Um reajuste de dar dor de cabeça
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