Um quarto da força de trabalho é subutilizada no Brasil
Contingente de 28,3 milhões de pessoas, que inclui os desocupados, é o maior desde o início da pesquisa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de maio de 2019
Contingente de 28,3 milhões de pessoas, que inclui os desocupados, é o maior desde o início da pesquisa
Nelson Bortolin - Grupo Folha 

Um quarto daquilo que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) classifica como força de trabalho ampliada é subutilizada no Brasil. A taxa de subutilização bateu recorde no primeiro trimestre de 2019, chegando a 25%. Isso significa que 28,3 milhões de um total de 113,4 milhões brasileiros não trabalharam ou trabalharam menos do que gostariam no período.
É o maior índice desde o início da série histórica da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) Contínua, iniciada em 2012. Na comparação com o trimestre encerrado em dezembro, houve alta de 5,6%, ou 1,5 milhão de pessoas.
No primeiro trimestre de 2014, antes do início da crise no mercado de trabalho, a taxa de subutilização chegou a 15,5%. O crescimento reflete tanto a alta do desemprego quanto a alta do desalento - quando a pessoa está impossibilitada de procurar emprego por falta de dinheiro ou por acreditar que não encontrará vaga, por exemplo.
O número de pessoas desalentadas cresceu 3,9% no primeiro trimestre (em comparação com o trimestre anterior), chegando a 4,8 milhões. Na comparação com o primeiro trimestre de 2019, a alta foi de 5,6%. A taxa de desalento chegou a 4,4%, o maior para o período desde o início da pesquisa.
O número de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ficou em 6,8 milhões no primeiro trimestre, estável em relação ao trimestre anterior e 10,2% maior do que a verificada nos três primeiros meses de 2018.
DESOCUPAÇÃO
No primeiro trimestre, a taxa de desemprego no País foi de 12,7%, alta de 10,2% com relação ao trimestre encerrado em dezembro. Ao todo, 13,4 milhões de brasileiros procuraram emprego no período. Nos últimos três meses, segundo o IBGE, 1,2 milhão de pessoas a mais passaram a procurar emprego.
O coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, ressalta que há um fator de sazonalidade que explica a queda. No quarto trimestre, há eventos que estimulam o emprego, como festas de fim de ano, Natal, Black Friday e férias. A redução da população ocupada no primeiro trimestre, portanto, é esperada, comentou ele.
Com relação ao mesmo trimestre de 2018, quando a taxa de desemprego estava em 13,1%, houve estabilidade. "Em termos de volume de desocupados, estamos no mesmo lugar do início do ano passado", comentou Azeredo.
“A gente vê com preocupação. A economia não está funcionando, houve desaceleração”, comenta o economista e professor da UEM (Universidade Estadual de Maringá), Joilson Dias. Ele ressalta existir muitas expectativas em relação ao novo governo que ainda não se concretizaram. Para Dias, no entanto, o problema está no Congresso, que demora em aprovar as propostas da equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro. “Os velhos caciques ainda mandam no Brasil”, declara.
Apesar de lamentar o fato de o presidente tornar-se mais pragmático e ceder a algumas pressões da “velha política”, ele não se considera pessimista. “O emprego volta a crescer assim que a reforma da Previdência for aprovada”, alega. O economista calcula que, se a reforma passar até julho, o cenário econômico será outro em outubro, com os empresários começando a investir e o consumidor voltando às lojas. “Em consequência o desemprego vai cair”, afirma.
O economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos), Fabiano Camargo da Silva, pensa o contrário. Para ele, o crescimento e os empregos não virão com a política de austeridade do governo. “Já começou no governo anterior com a PEC dos gastos públicos. Se o governo não gastar em infraestrutura, por exemplo, o País não volta a crescer”, alega.
Silva diz que os empresários não irão investir somente por otimismo e confiança. “Eles precisam ter certeza de que vão ganhar mais.” Por isso, na visão dele, a reforma da Previdência não resolverá o problema. “Pelo contrário, um estudo que nós fizemos mostra que, em 75% dos municípios do Paraná, o dinheiro de aposentadorias, pensões e outros benefícios do INSS representa um valor maior que o próprio FPM (Fundo de Participação dos Municípios)”, declara.
A costureira londrinense Maria de Lourdes Celestino, 58 anos, passou a engrossar a fila dos desempregados. Nesta terça-feira (30), ela estava na Agência do Trabalhador dando entrada no seguro desemprego. “Trabalhava numa fábrica que está em dificuldade”, conta. Mas, a costureira não se desespera pois faltam poucos meses para se aposentar. “Vou continuar pagando o INSS e me aposento no próximo ano.” Por cinco meses, ela contará com a ajuda do seguro-desemprego. (Com Folhapress)
Número de empregados com carteira assinada fica estável
Folhapress
O número de empregados com carteira assinada no país permanece estável por quatro trimestres, em torno de 33 milhões de pessoas. A última vez em que houve crescimento no número de empregados com carteira na comparação com o trimestre anterior foi no segundo trimestre de 2014.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, não há aumento desde o fim de 2014. "A grande expectativa da retomada é esse indicador. A carteira é que vai demonstrar que os empreendedores abriram empresas e começaram a contratar", afirmou o coordenador da pesquisa Cimar Azeredo.
Os dados do IBGE mostram que não houve aumento no emprego em nenhum dos setores econômicos. Naqueles em que o número de vagas é positivo - transporte, alojamento e alimentação e Informação, comunicação e atividades financeiras - o instituto considera que a variação com relação ao trimestre anterior não foi relevante.
Na comparação com o ano anterior, houve 202 mil trabalhadores a mais no setor de Transportes, que mostram o crescimento do número de motoristas de aplicativos no país, segundo Azeredo. Os setores que mais fecharam vagas no primeiro trimestre foram Construção e Administração público. No primeiro, foram 288 mil trabalhadores a menos. No segundo, 332 mil. Azevedo diz que as quedas são explicadas por fatores sazonais.
Segundo ele, historicamente a construção registra queda no emprego no primeiro trimestre. Já o corte de vagas da administração pública foi impulsionado pela demissão de professoras com contratos temporários.
Massa de salários cresce R$ 6,552 bi em um ano
Daniela Amorim
Agência Estado
Rio - A massa de salários em circulação na economia cresceu R$ 6,552 bilhões no período de um ano, para R$ 205,289 bilhões, uma alta de 3,3% no trimestre encerrado em março de 2019 em relação ao mesmo período de 2018, puxada pelo aumento no número de pessoas trabalhando.
Os dados são da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Na comparação com o trimestre terminado em dezembro de 2018, a massa de renda real caiu 0,3%, com R$ 691 milhões a menos.O rendimento médio dos trabalhadores ocupados teve alta de 0,7% na comparação com o trimestre até dezembro, R$ 15,00 a mais.
Em relação ao trimestre encerrado em março do ano passado, a renda média subiu 1,4%, para R$ 2.291,00, R$ 32,00 a mais que o salário de um ano antes.



