Alguns produtos parecem nunca sair de moda ou perder sua utilidade. Pelo contrário, ganham cada vez mais importância com o passar do tempo e contribuem diretamente para o desenvolvimento da economia. É o caso dos materiais cerâmicos. Alguns deles datam de séculos e são fundamentais em diversos setores, como o da construção civil, que não param de crescer.
Segundo a Associação Nacional da Indústria Cerâmica (Anicer), o setor movimenta cerca de R$ 6 bilhões ao ano, emprega em torno de 400 mil pessoas diretamente e produz de tijolos aos mais finos produtos de acabamento. Hoje, Dia do Ceramista, o setor comemora o bom momento e torce para que a demanda aumente cada vez mais.
''Nossa profissão é de mais 4 mil anos atrás e não vai ter fim. O tijolo, por exemplo, é o único material que não apodrece, não enferruja, não estraga'', afirma Miguel Gauginski, presidente do Sindicato da Indústria Cerâmica do Norte do Paraná (Sindicer-Norte). Gauginski está no ramo há 26 anos e destaca que no País existem grandes cerâmicas, mas a característica da região é de pequenas e médias empresas familiares. O norte tem tradição no ramo, conta ele, com cerâmicas criadas a partir da década de 20.
O empresário destaca que as empresas da região têm se aprimorado com o passar do tempo, buscando aos poucos tecnologia para incrementar a produção. Porém, a matéria-prima muitas vezes ainda tem sido reconhecida apenas pelo tato. ''A gente pega um pouquinho de argila com a mão e já sabe se dali pode sair um bom produto ou não. Às vezes, só de olhar já reconhece. E o que faz o produto ser bom é a matéria-prima'', revela Gauginski, frisando que atualmente testes de laboratório auxiliam os ceramistas.
Ele lamenta que exista no ramo muitos aventureiros, sem experiência alguma, que acabam prejudicando o setor. ''Alguns abrem uma empresa e logo fecham. Para ficar é preciso gostar e ter muita responsabilidade'', reforça o presidente do Sindicer-norte. O empresário ainda lembra que os materiais cerâmicos são utilizados para a construção de casas e edifícios, onde pessoas vão morar ou trabalhar, por isso os produtos precisam ter muita qualidade.
Gauginski destaca que o sindicato das indústria do setor da região foi formalizado há 6 anos com o objetivo de levar conhecimento, capacitação e qualificação para a categoria, firmando parceria com instituições como o Sebrae. ''A ideia é capacitar, unir e fortalecer o setor'', afirma. A região conta com cerca de 80 empresas do ramo, sendo 22 associadas. Emprega em torno de 1,2 mil pessoas diretamente. As indústrias locais produzem em torno de 10 tipos de itens, entre eles os blocos cerâmicos - popularmente conhecidos como tijolos -, telhas, lajotas, bloco estrutural e vasos.
Hoje, Dia do Ceramista, Gauginski revela ter muito orgulho da profissão. ''Fico feliz de saber que faço parte desse setor da construção, de participar do desenvolvimento do meio urbano'', diz. Apesar da crise econômica mundial ter provocado uma redução de 10% nas vendas nos últimos meses, ele acredita que o setor deve se recuperar nos próximos meses. E ele, assim como todos os outros profissionais e empresários do ramo, torce para que o segmento da construção civil tenha sempre um bom desempenho porque o reflexo na indústria da cerâmica é direto.

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