O presidente da Ford Motor Company do Brasil, Antonio Maciel Neto, afirma que reconquistar o mercado da marca em Londrina é uma questão pessoal. Isso porque ele nasceu em Apucarana e diz ter um compromisso com a região. ‘‘Tenho interesse pessoal em alavancar as vendas da marca em Londrina, senão o pessoal da Ford dos Estados Unidos vai dizer que nem mesmo na minha terra consigo vender, com a demanda que a região tem’’, diz.
Único brasileiro a presidir uma montadora de automóveis no Brasil, Maciel Neto, ainda guarda boas lembranças da infância passada na região de Londrina. ‘‘Como jogava basquete no time de Apucarana, vim diversas vezes participar de campeonatos no Moringão’’, recorda. Maciel Neto nasceu e viveu em Apucarana até 1974, quando se mudou para Curitiba para cursar o terceiro colegial e se preparar para o vestibular. No ano seguinte se mudou para o Rio de Janeiro, onde foi aprovado no curso de Engenharia Mecânica. Tentou aliar o basquete – uma de suas maiores paixões – aos estudos, mas a universidade exigia demais, e o esporte acabou se limitando à diversão. ‘‘Sou um jogador de basquete frustrado, que terminou a carreira jogando peladas nas quadras do Aterro do Flamengo.’’
A responsabilidade com os estudos, segundo ele, foi moldada pela mãe que era ‘‘severa’’ e exigia disciplina. E o interesse pela tecnologia, que o levou a cursar engenharia, foi herdado do pai, que é engenheiro agrônomo, e trabalhou durante 33 anos no Banco do Brasil. Maciel Neto diz que ainda mantém muitos amigos de infância e das quadras em Apucarana e até mesmo em Londrina. Os pais ainda vivem em Apucarana, e o executivo sempre vem visitá-los. ‘‘Na verdade não tenho vindo com a frequência que gostaria.’’
Depois de formado foi trabalhar na Petrobras, onde permaneceu 10 anos. Em seguida foi para o governo federal, onde atuou como secretário adjunto de Economia, com a secretária Dorothéa Werneck. Depois foi secretário executivo do Ministério da Indústria e do Comércio, no período em que José Eduardo Andrade Vieira estava à frente do Ministério. Deixou o governo e ficou quatro anos trabalhando na reestruturação da Cecrisa, cerâmica em Santa Catarina. Daí partiu para o Grupo Itamaraty, onde permaneceu por três anos.
O executivo está à frente da Ford do Brasil desde julho de 1999. Ele afirma que a decisão do presidente mundial da marca, Jacques Nasser, em escolher um brasileiro para presidir a montadora no País se deveu à seguinte filosofia: o executivo ‘‘deve ter uma estratégia global, mas o coração local’’. Maciel Neto conta ainda que Nasser também queria um executivo que não tivesse nenhuma ligação anterior com o setor automobilístico.
O presidente da Ford do Brasil afirma que a recessão que os Estados Unidos estão vivendo não deve afetar os planos do grupo para o Brasil. ‘‘Mesmo porque, com a recessão, a previsão é de que o mercado de automóveis dos EUA comercialize 16 milhões de unidades este ano, uma queda de 1,8 milhões sobre o ano passado. Ainda assim, este resultado é o terceiro melhor desempenho do setor’’, diz.
Ele acredita que a decisão dos EUA de cortar os juros numa velocidade maior do que a esperada pode beneficiar o Brasil. ‘‘Isso pode trazer mais investidores para cá. Mas se a desaceleração da economia norte-americana for mais forte, aí não só o Brasil será afetado, mas todo o mundo.’’
Quanto à unificação do IPI no setor automobilístico, o executivo afirma que tudo ainda é muito preliminar. ‘‘Alguns países acham que os impostos não devem induzir a demanda, outro, o contrário. Neste caso, a unificação só será boa se a alíquota determinada ficar mais próxima da aplicado hoje ao carro popular.’’

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