Um negócio a caminho da quarta geração
A P.B. Lopes - concessionária Scania, com matriz em Londrina, é um exemplo de negócio familiar bem-sucedido que chegou à terceira geração. A empresa nasceu com o nome de Irmãos Lopes, em 1950, capitaneada pelo espanhol José Lopez Lopez. Embora não tenham seguido exatamente o que diz a cartilha de consultores sobre sucessão em empresas familiares, os Lopes já estão encaminhando o negócio para a quarta geração.
Filho do meio de uma família de sete irmãos, José Lopez Lopez chegou a Londrina na década de 1930. Tinha espírito de liderança e foi abrindo caminho para a família crescer. Comprou primeiro uma sapataria em Londrina e, em 1937, já casado (com Amélia Barbosa Lopes), mudou-se para Ibiporã, onde teve ''secos e molhados'', açougue, posto de gasolina, depósito de cereais, máquina de beneficiar café, entre outros. ''Foi trazendo os irmãos para trabalhar com ele, expandindo e fazendo sociedades. Era autodidata, nunca foi para a escola. Mas, para mim, ele foi a melhor escola'', conta Pedro Barboza Lopes, 71 anos, o primeiro dos cinco filhos (um faleceu quando criança) de José e Amélia.
Em 1950, nasceu a Irmãos Lopes, com a criação de uma concessionária, que inicialmente representava a marca De Soto - também vendia eletrodomésticos -, depois Mercedes-Benz (1957) e mais tarde Scania (1966). Os negócios não paravam de crescer. Em 1997 - José e Amélia já tinham falecido - foi feita a cisão da sociedade. Pedro Lopes conta que o patrimônio foi avaliado e dividido em pacotes equivalentes. Havia empreendimentos em quatro frentes: concessionária, transporte coletivo, construção civil e agropecuária. ''Houve um sorteio entre os quatro irmãos. Depois, começamos a negociar entre nós. Como desde 1962 já tinha assumido a gerência da concessionária, fiquei nesse segmento'', lembra ele, que também herdou negócios na agropecuária.
A partir da cisão, nasceu a P.B. Lopes (em 1997) e os três filhos de Pedro Lopes e Maria Cristina de Andrade Lopes assumiram postos nos empreendimentos da família. Daniela, 44, é responsável pela administração geral da P.B. Lopes, que tem seis concessionárias no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além de quatro postos avançados. Rodrigo, 43, começou no setor de informática da empresa e hoje gerencia uma transportadora da família. O caçula, Gustavo, 41, está à frente da propriedade rural de dois mil alqueires, que cria gado Nelore.
A terceira geração assumiu a empresa familiar por opção. ''O princípio sempre foi o respeito pela habilidade de cada um. Estamos dando continuidade à uma visão empreendedora (iniciada pelo avô) e agregando outros valores. O papel da nova geração é trazer o novo ao negócio '', diz Daniela. ''Nunca há imposição. Quando precisamos tomar decisão que envolve patrimônio, por exemplo, formamos colegiado (entre a família) para conversar'', destaca Rodrigo. Eles dizem, porém, que não há conselho administrativo formado. Pedro Lopes é o diretor-presidente da empresa e, por tradição, é sempre consultado sobre as principais decisões.
Para que a quarta geração seja agregada ao mundo dos negócios, a família criou um programa de sucessão, que consiste em visitas organizadas às empresas, com envolvimento no dia a dia. O primeiro a trilhar esse caminho será o neto mais velho, José Pedro, 11 anos. ''Vamos começar com doses homeopáticas. O que aconteceu de forma natural com a gente (terceira geração), vamos sistematizar com eles (quarta geração)'', conta Daniela. (G.M.)





