Economista, doutor em desenvolvimento regional e coautor do livro "Economia Paranaense: Crescimento e Desigualdades Regionais", Jandir Ferrera de Lima considera o Estado "extremamente desigual". "Três das dez mesorregiões paranaenses detêm 73% do PIB", justifica.
Segundo ele, o crescimento de 68% do Sudoeste paranaense se deve a dois fatores. O primeiro é a expansão da agroindústria na região, com produção de carnes suína e de frango. "O segundo foi o desenvolvimento do ensino superior nos últimos anos, que ajudou no salto do crescimento da região", ressalta.
No Noroeste, cujo PIB aumentou 64%, além da agroindústria da carne bovina, se destacam as indústrias sucroalcoleira e a moveleira. "É um processo de industrialização que está muito ligado ao aumento do poder de compra dos trabalhadores", declara. Da mesma forma, a indústria em torno da madeira de reflorestamento ajudou a região, de acordo com ele.
Lima, que também é pro-reitor de Planejamento da Unioeste (campus de Toledo), diz que a indústria de alto valor agregado é que faz a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) responder por quase metade da produção da riqueza no Paraná. "Temos lá um polo petroquímico, forte presença da indústria metalmecânica e da química fina, além de outras de grande valor agregado", ressalta.
Ele destaca que a Região Centro-Oriental (de Ponta Grossa) vai crescer muito nos próximos anos devido aos investimentos do Programa Paraná Competitivo. A região concentra R$ 12 bilhões investidos pela iniciativa privada, mais da metade do total. "Os empresários estão preferindo investir lá porque a região de Curitiba está congestionada e porque continuam próximos do porto (de Paranaguá)", explica
Sobre o menor crescimento do Norte do Estado, segunda mesorregião mais rica, o professor considera importante "que ela não tenha perdido participação" na geração de riqueza. "O Norte tem uma economia diversificada, com presença da agroindústria, da indústria de confecção, inclusive com marcas de expressão nacional", destaca. Outros pontos fortes do Norte, lembra Lima, são as cooperativas agrícolas e as instituições de ensino superior. (N.B.)

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