Um em cada quatro homens bebe abusivamente, diz Ministério
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sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Fabiana Cimieri<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Um levantamento do Ministério da Saúde, feito por telefone no ano passado, indica que um em cada quatro brasileiros do sexo masculino consome álcool abusivamente, ou seja, mais de cinco doses de uma vez. Na média das capitais, o consumo abusivo é de 17,4%. Entre as mulheres, o percentual é de 8%. Apoiado em dados como esses e dentro de uma política de redução de danos, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou hoje, no Rio, uma campanha de prevenção dos riscos de consumo de bebidas alcoólicas.
''Esse número é ainda mais impressionante se levarmos em consideração que mais da metade (66%) da população não bebe nunca'', disse o ministro, acrescentando que as metas da campanha são a redução do número de acidentes de trânsito, no trabalho e redução da violência sexual e doméstica.
Para Temporão, o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter feito propaganda para a cachaça brasileira durante viagem à Jamaica, não vai contra a campanha lançada ontem. ''Lá estamos vendendo um produto para exportação. Aqui queremos chamar a atenção para o consumo abusivo'', respondeu o ministro. ''A política do álcool está vinculada à redução de danos. Não tem nenhum viés moralista ou de proibição. A bebida é socialmente aceitável e pode até ser motivo de alegria e de prazer'', completou ele.
Antes do início do evento, Temporão, afirmou que o governo não abrirá mão de regular o conteúdo e o horário de exibição de propaganda de bebida alcoólica. Para o ministro, está claro que o Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) é insuficiente para banir o incentivo ao consumo excessivo.
''Não me parece razoável a auto-regulamentação. O Pan (Jogos Pan-Americanos) foi patrocinado por uma cerveja, e o que eu vi foram comerciais que tratam a mulher como objeto e mostram preconceito contra o obeso'', afirmou. O ministro disse ter sido procurado pelo Conar e por representantes das cervejarias, com os quais se reuniu duas ou três vezes. Mas adiantou que ''de maneira nenhuma o governo vai recuar nessa questão'', e que ''o papel de regulação do Estado é intransferível''.
Atualmente, apenas as bebidas com teor alcoólico superior a 13 graus são classificadas como tal e têm a propaganda regulada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A proposta do governo é diminuir esse valor para 0,5º, para incluir cerveja, ''ices'', ''coolers'', e a maioria dos vinhos e espumantes na classificação de bebida alcoólica.


